sábado, março 13, 2010

Passo

Minha inspiração está no indescritível
Como se música pudesse ser muda
E toda transparência fosse nua
Mas não, nada se faz impossível
Tudo é uma imensa colcha tricotada
Cheia de nós de gargantas engasgadas
Evaporam-se até ardentes nuvens
Oriundas de um medo indizível
Inerente ao todo vivente
Que se agarra e se espalha
Entre as falhas dessa mentira algoz
Na qual fazemos nossa morada
Para tornar o amor algo veloz...
Habitando reações atômicas
De nossa pele em êxtase
Do medo de sentir o que um dia
Pareceu nunca mais poder ser
E após o sofrimento alvorecer
Uma despedida cheia de feridas
Uma tristeza ainda não sofrida
Quanto medo, quanto apego o desapego querer...
Sim, minha insanidade me faz monstro
Ela me vela prezados sentidos
Sinto-me tão muito pouco!
Às vezes por sentir esse oco
Permito-me viver o inevitável
Assobio o prelúdio instável
Das minhas horas incertas
Liberto-me como louco
A dizer hereges verdades
Que não me cabem ser ditas
E por isso me sinto saudades
Por isso me desejo mais vida

3 comentários:

Bruno Bissoli disse...

vidaaaaa

Isabela Bimbatto disse...

Talvez o apego ao desapego tenha se tornado rotina. Assim é mais dificil de se desvencilhar.
Não se sinta oco, você nunca será pouco pra ninguém.
:)

Caio Fabricius disse...

'Minha inspiração está no indescritível'
Essa sina é complicada