segunda-feira, novembro 19, 2012

resistência

Por que uma folha em branco, mesmo que pálida, diz muito sobre quem a observa. Pois nela são projetadas todas as ondas dos pensamentos vindos de ideias que tão logo se construirão ali, ou se perderão diante dela. Mesmo que nada se escreva, por ali passarão pensamentos quiçá revolucionários. Naquela folha onde o branco impera esconde-se a mudança pronunciada, que aguarda a hora certa para ser registrada. Eis o poder dos pensamentos, que embora escondidos e não escritos, se agarram na celulose para emergirem no momento certo e então se revelarem aos olhos sensíveis...

quinta-feira, outubro 11, 2012

fala


falalalallalalaa
faaaaaala
lalalalalalala
fala
huahauhauhuauhuahuauh
falemos do falar
pq não falar em falar?
ahauhauhuahuahua
falar em falas falidas
falas faladas
O.O
falas polidas
hauhahua
faremos palavras
novas
floridas
falei
feito fole de reis
fadado ao fato
de que falar tanto
me faria tão mudo
mudei de fala
mudei de tudo 
o mais forte silêncio
para flertar com o mundo
falar-te que o que me falta
é falar
huahahuahe 
falar para que fales comigo
para que ouça
minha voz telepática
falar do sofrido
fado de ser mudo
ouvindo
fala!
agora vc fala comigo

terça-feira, outubro 02, 2012

CALEIDOSCÓPIO



.Na medida em que vamos girando um caleidoscópio diante do olho, percebemos a variação das formas e de seus respectivos encaixes que se modificam e se transformam no meio das cores diversas. Dos movimentos que dinamizam o som das peças coloridas contra os espelhos internos do caleidoscópio e do reflexo de imagens que se mostram perceptíveis aos nossos olhos de curiosa contemplação, surgem infinitas formas de se observar e perceber aquele mesmo objeto que permanece sendo ele próprio, o mesmo sempre, mas que se apresenta de forma misteriosa e relativa.

.Assim como num caleidoscópio, diante dessa sensação de que podemos observar algo de tantas maneiras diferentes, ou a além de objetos observar a nós mesmos e aos outros de tantas formas, queremos propor um momento para observarmos a maneira com que cada ‘peça’ de dentro desse caleidoscópio cultural, que é a sociedade, interage com as outras ‘peças’ para compor esse mosaico de reflexos, de agrupamentos, de transformações e de percepções múltiplas que é inerente à vida dos seres humanos.

.Diante de nossas próprias sensações e vontades estamos propensos a não enxergar a visão do próximo. Com o advento da globalização e da individualização que ela algumas vezes nos imprime, o sentido coletivo da sociedade, no qual se imbui o reconhecimento da cooperação entre setores e movimentos diferentes, torna-se quase imperceptível a alguns. A cooperação, essa que torna possível o funcionamento de uma série de organismos e locais, é que faz o ‘‘caleidoscópio girar’’.

.Nesse mar de caleidoscópios giratórios, o grande desafio é encontrar um movimento para o corpo das ideias que eles representam, que se harmonize feito uma dança entre o dia e a noite, entre o frio e o quente, entre o claro e o escuro, entre a coragem e o medo, entre a mentira e a verdade. Revelando-se, após a partida e a chegada, o caminho feito por nossa percepção para chegar ao nada absoluto e ao infinito incontestável, demonstrando num giro de um objeto no ar a complexidade de um evento que devemos compreender, e mais que isso vivenciar. Para enfim perceber que somos parte microscópica de um todo infinito e ao mesmo tempo somos um infinito composto de infinitas “microexistências”...

.O mundo e sua complexa beleza ao ser contemplada, o impulso que movimenta esse encontro de pessoas e suas culturas, os conhecimentos e suas ferramentas que podem ser usadas em nosso cotidiano para ultrapassar desafios, são o grande caleidoscópio. Que, enquanto estiver girando e sendo observado, estará nos trazendo de volta ao seio do qual compartilhamos, estará nos dizendo que ao mundo o que importa primordialmente é o movimento.

quarta-feira, setembro 05, 2012

Vontade de quê

Vontade de ler,
ouvir música,
estudar,
esquiar,
comer à vontade,
muito amar.

Sóbrio de tanto enlouquecer
e vontade de sentir verdade
em tudo que se vê.

Vejo o mundo,
e filmo tudo
em lembranças que se se esvaem.

Louco de tanta sobriedade,
acompanho o jardim florescer.

Nem sempre converso com quem não conheço.

Não viro o rosto para ninguém que não mereça.

Pois a realidade nunca é como realmente sonhamos.

Com o hábito de muito sonhar,
poderia ter criado
um mundo em minha mente
feito para mim tão somente.
Mas vejo que o mundo não é só meu,
e todos que aqui estão o merecem
tanto quanto eu,
ou mais.
Pois todos temos limitações diferentes...

Por que eu ousaria querer ser melhor que alguém?
Em que eu justificaria essa tal disputa e contra quem?
Por isso sonho com um mundo onde todos caibam.

Todos temos nossa busca interna.
Receberemos e acharemos respostas
Seja pelo que for que questionarmos e pedirmos
Não importa o que os outros acreditam que saibam.

Pois nos guiamos segundo nossa própria vontade.

Enfim, vontades que passam
mas que às vezes moram
em nós no intestino!

Que persistem, pois somos movidos
pela vontade de seguir um destino,

vontade de se esticar,
de correr para casa
dormir.
Quem trabalha,
também festeja.

Num caminho onde não encontramos sozinhos
As soluções para todas as vontades
engasgadas nas tosses presas.

Precisamos sempre de alguém para nos ajudar.

Vontades permanecem na própria carne a apodrecer.
Desde quando nascemos até quando somos enterrados,

Desmancham-se e se refazem, se não houver motivos para o contrário.

Se manisfestam na pele a se esticar,
no músculo a enrijecer,
no sangue a se migrar
às células encharcadas de vontade

Vontade de quê?

quarta-feira, agosto 22, 2012

quarta-feira, julho 25, 2012


Confesso que estive fraco
Meus olhos seguiam tristes
Refletiam medo nos meus atos
Muitos sonhos ficaram distantes
A realidade só me dizia ‘desiste’
Já nem sei pois onde me bem encaixo
Parece que só nasci para louco questionar
De tantas respostas cruéis que obtive
Só fazia em meu peito crescer um vazio
Para alguém como esse eu tão solitário
Não sabia se havia um espaço cabível
Mas há sempre duas opções para tomar
Entregar-se ao medo, ou dele se fortalecer
Em meus próprios momentos sem mim
Tentando encontrar algo verdadeiro
Feito um bebê logo ao nascer
Até minhas últimas forças esperneio
Sei, ainda ei de achar esse recanto
Lá um novo homem posso chegar
Tão forte que nem comigo parecerá
E então ele me ensinará a responsabilidade
De ensinar a revolucionar

quarta-feira, junho 06, 2012

A hora do sol


A solidão, aquela que se sente sozinho, essa ninguém compreenderá. Pois só nós mesmos conhecemos todas as feridas de dentro do nosso coração, só nós mesmos conhecemos as mágoas que perdoar, os espinhos que suportamos e os tombos que iremos tomar. E é na solidão sozinho que você para para pensar na prisão que suas feridas te trazem se você não souber curá-las. Além de tanta solidão vendida em todas as prateleiras da vida. Tanta miséria por causa da breve partida de xadrez, que nossa forma escolhida de viver fez ser uma guerra da fome contra a soberba. A miséria da solidão dentro de nós transformou nossos sonhos em ilusão ou matéria! Fez as portas do grande lar da vida camuflarem-se no medo de desaparecer no meio da ganancia!
Conclamem vossa farda etérea de segunda, nossa armadura de batalha, identidade do homo sapiens que nada sabe! Pois haveremos mesmo de construir um mundo onde todos se deem bom dia antes que o pó da agonia dos que respiram a hipocrisia dos cerdos de ouro se dissipe? Pois seremos nesse tanto, pequenos a ponto de fecharmos nossos olhos para a agonia dos que sofrem em troca de uma vontade própria e insana de realizar-se pelo mundo mesmo que de forma opróbia? Não te envergonha ter pensado tanto nas sujeiras alheias antes de limpar a sua própria sujeira, enquanto todos o viam desfilar a pompa de que tem alguém na barriga, mas que rei não é!?
A solidão é coisa perigosa! Mas a solidão e o frio é mais! A solidão e a fome nem digo, pois então me dói a alma! Saber fingir não saber que há tantos com fome, saber fingir não saber que minhas escolhas têm poder, entre tantos outros fingimentos sabíveis que fingimos não saber que possuem os seres humanos sabidos, faz de nós a mais louca e perdida forma de vida. Por isso há solidão! Por isso não conseguimos nos olhar no fundo dos olhos. Pois achamos que dentro dos nossos olhos existe um reflexo da nossa alma, e já chegamos ao ponto em que temos vergonha dela. Não é para menos! Pois deixamos nossos filhos com fome, doentes e com sede. Exploramos suas vida sem atribuir-lhes nenhum mérito nem retribuição por isso! Eis o tipo de evolução ao qual alcançamos! Eis as nossas escolhas adotadas em cada ato do cotidiano tomando a forma e tamanho de um monstro chamado futuro! E esse monstro parece estar vestido de solidão até agora. Ele vem a passos curtos e lentos... imperceptíveis. Ele caminha na dobra da sombra e te invade os pensamentos para encorajar-te a parar e não querer mais enfrentar tantas injustiças, injustiças que já cansaram suas atadas vistas atormentadas de tontura e sofrimento. Domina seu dom e no minar das ideias se instaura feito um interrompedor de fluxos! Agora você é presa fácil para os diversos interesses. ESSES!!! Esses que te assolam a alma e te dormitam as utopias!
É mais que a hora de acordar, é hora de conectarmos nossas ideias, somarmos nossas experiências e vivermos a urgência dos gritos de dor! Hora de levantar e caminhar em direção a tantos sonhos possíveis! Hora de não pensar nos moldes que te fizeram, mas na verdade que te esconderam!!! Deixai o sol entrar!

domingo, maio 27, 2012


Todos os dias amanhecemos sentados
Pensando se para causas existem lados
No porquê de levantar tantas bandeiras
Se as eiras são as mesmas todos os dias
É tão claro quanto o amor a mudança
É tão simples quanto a paz a partilha
Mas insistimos em fazermo-nos diferentes
Como se o repente de um fosse do outro
Algo envolto de um manifesto urgente
Enquanto todos marchamos como um
No mesmo uníssono descontente
Vale mais mostrar que somos diferentes?
Ou que temos algo em comum
Apesar dos falsos sorridentes?
É tão plena quanto a mãe a filha
E mesmo diante de todo pavor
Queremos o soalho da volta na ida
E para quê derrotar alguém se acreditas
Que é feita de tolerância e perdão
A verdadeira forma de amar
Vale mais aprender com o ancião
Que só devemos no mundo celebrar
Algo que ultrapassa, o eu é religião
Verdadeira forma de altruísmo
Do que com jovens que dizem ajudar
Mas que muito precisam de vida
Para viver onde existe igualdade
Onde possamos sentir amor e verdade

domingo, maio 13, 2012

De onde essa força vem

Minha força vinha da música
Tocada por meus passos na areia
O assobio do ar nas ventas
O oxigênio e maresia salgada
Complementavam a poesia
De composição em minhas veias
Eu dançava marchando sozinho
Preparando-me de paz injetada
Nos músculos água, fogo e ar
 De sonhos e todo o brando
Brado da vontade de ajudar
Minha força vinha da única
Maneira de semear o viver
Respeitando e agradecendo
Por em mim habitar e me fazer
Chorar e cantar, ou sorrir
Pular sobre as ondas
Voar no sopro do mar
Em rodopios inspirados
Ensinar meus irmãos a flutuar
E a às vezes cair
Porém nunca, ainda que
Fraco ou doente
Eles desistam de levantar
Uma força em mim emana
Algo do qual não se pode entender
Sublimando minha existência
Minha essência de
Ouvir um chamado e dizer
Ver o todo em compreensão
Saber onde toco meus pés
Pelo cheiro julgar que estragou
Entre todas as habilidades que nem sei
Poder ainda apreender
Algo novo, algo diverso
Para em vida lutar pelo bem
Dissipar as mazelas dos debilitados
Com a boa vontade de quem
Ama

sábado, abril 28, 2012

Grave

Depende quem anda de quem para Como ferro no arrolho do cano Se para um, para todos dispara Polvora a força do tiro insano De volta não sabe como fora E quem fica no meio do canto Ou na contramão do desassossego É mesmo rosto pintado de branco Mela e nina todo ensebado seu trono Preguiçoso se faz todo dia de cego Até convence ser tal opróbio um dom Faz o tempo parecer sovado e pronto Ao certo não era ele que agradecia Pelo raro pano na mesa farta... Meus dias nunca foram tão longos Nem é meu logos política torta Era catarse na própria euforia Que na hora da víbora em bote Acabava opressa com minha alegria Ainda que restasse sempre um mote: "Do tabuleiro dessa luta invisível Será herói, ou será pião?" O ideal em jogo é intransigível Merece minha carne e meu suor Pois há tempos só me valem os dias Que consigo reconhecer na dor E nas revoltosas agonias dos rostos De quem força e coragem compartilha Desejando um lar justo e melhor

segunda-feira, março 12, 2012

Insonho

Talvez você nunca me conheça ou não se encontre comigo nem por acaso na rua. Do que adianta escolher uma blusa menos amarrotada e desbotada se nossos caminhos não vão mesmo se cruzar? Visto qualquer uma e abuso do mal humor de quem já se esqueceu de quem sou ou possa se tornar. Interrogo as coisas mais profundas do mistério do infinito para tentar fugir da desilusão de ser o que for... Todos os fatos já me levaram a crer que muito pouco de mim vai sobrar por aqui quando o mundo decidir não sentir mais meu sabor. Então, pensando nas certezas que jamais encontrarão, recomendo as incertas coisas que pairam sobre o agora. Sabido que lá fora mil possíveis sonhos podem me libertar, já é evolução pensar que posso ou não realizá-los, pois sei também que não pretendo voltar. Mesmo que me acabe a juventude e que não me sobre muitas virtudes para os amigos conservar, ainda penso num caminho bonito de terra batida, grama em volta, flores sortidas, onde eu descalço possa caminhar. Mas se Deus com rimas tão pobres e ao mesmo tempo pensamentos nobres que não consigo transcrever fielmente resolveu me conceber, pode ser minha vida uma tortura indecente infectada pela vontade de sempre querer. Sempre querer o impossível pode ser belo quando escrito em poemas, mas a verdade por trás das palavras se revela num grande e antigo dilema: ser o que se pode ser ou ser os sonhos que não se pode esquecer? Em questão de segundos acaba-se o mundo e nada mais precisaria ter acontecido, do que vale então eu ter nascido? Se vim ao mundo para ser tão egoísta e pensar só no caminho que desejo a mim, já posso partir dessa vida, pois jamais me orgulharia de ter sido assim. Mas há tantos sonhos pairando sobre meu sono, há tantos versos perdidos em pensamentos insanos, que me esqueço como pode a magia ainda existir... Espero que, mesmo eu estando com a alma amarrotada no momento do nosso encontro, você perceba que ainda posso sorrir.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

contraste

A desesperança nas ruas
A destemperança dos ricos
Explicam tantas almas moribundas
Vivendo sem água, sem alimento
Sentindo na pele a tortura
De ter nascido desprotegido
Cantando nos becos loucura
Sem poder viver algum sentimento
São os frutos da ganancia e egoísmo

Como poderia eu viver sem agradecer a Deus?
Que todos os dias não me deixa com fome
Dá-me o fruto da sabedoria divina
E alimenta minha alma até mesmo em sonho
Como poderia eu não agradecer?
Se faz chuva ou se faz sol, gratidão
Se os dois ao mesmo tempo, arco-íris
Não me distancio do seu alvorecer
E contemplo com meus olhos felizes
A verdadeira força da criação
Que me nina em seu colo morno
Que me banha e limpa feridas
Como poderia ignorar do vento o sopro?
Como poderia eu viver sem vida?

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Renovo

Deixo essa maré me levar
Onda por onda sintonizo
Minha sede de chegar
Onde tudo irá um dia
Desaguando e moldando as conchas
Retornando de um grão a vida
Sintetizo as falanges que dormiam
Na mais profunda imersão
Levo os minerais ao alto cume
Quando me desafiam
E lá de cima venho limpando
Com sementes germinantes
Semeando novos lugares
Parece aos olhos distantes
Que de mim só fica o sal e o iodo
Mas hão um dia compreender
Que tudo é parte do todo
Seus inconcientes pensamentos
Cheios de sórdidos veios
Quando levados pelo vento
Alimentam a minha evaporação
Que faz de mim ar gélido e denso
Pronto para nova renovação

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Naquele momento de transe, deitado num círculo portal, encontrei meus mestres. Isso foi escencial para o que serei de agora em diante. Toda minha energia e força devem trabalhar pelo propósito da vida. Ainda há um longo caminho a ser trilhado, mas quanto mais difícil ele for, mais forte estarei para enfrentar o próximo obstáculo! Ohm Namah!

domingo, janeiro 08, 2012

tão somente

Há tantas feridas ainda abertas
Tantos egos cravados em segredo
Dentro de um ser que não sabe mais ao certo
O que é seu e o que apreendeu
Do mundo um envólucro de medo
Que habita nas mais profundas
Nas vontades mais absurdas
No pensamento de dor e angústia
Sem se explicar te designa fraco
Pois há ainda tantas curas escondidas
Na própria insegurança da ignorância
Nem ao menos ao olhar para dentro
Percebe-se a fraqueza de tantos atos
falhos e torpes, discretos e imperceptíveis
Criam raizes nos nossos parcos semblantes
Trazem a franqueza da solidão inglória
Dividem as certezas em engodos calmos
E de novo a depressão consome nosso domingo
Reconhecendo nas suas espécies de amizade
O que até hoje se construiu no caminho
Quantos são para apenas brindes amigos
Outros para apenas desabafos chorosos
Ou bem distantes se dizem presentes
Falta-me virtude
Falta-me carinho
Já não posso continuar sozinho
É tudo que sei...

sábado, janeiro 07, 2012

Aqui disparado


Eu estava aqui parado. Tentava de uma maneira dentro dos meus pensamentos encontrar alguém que eu precisasse ou que fosse importante a ponto de me identificar.
Quanto mais eu buscava mais longíncua e incomum essa força parecia se distanciar. Mas que coisa poderia ser tão importante a ponto de eu dizer que cheguei? Só via a lua embaçada no seu quinto dia de crescente, pronunciando uma pequena trégua das chuvas que castigaram centenas de cidades. Ela me tinha aparecido desde que eu havia ido comprar esse merlot no supermercado. De madrugada, eu não sabia se arriscava sair para vê-la de novo. Poderia eu encontrar, nesse desencontro marcado, algo que fosse relevante compreender? Quando lá cheguei e na areia sentei, percebi que eu ali estava para ninguém encontrar!
Só a lua me parecia familiar. Só ela parecia me enxergar.
Aquele brilho embaçado era a única coisa que minha alma conseguia compartilhar. Ela parecia defeituosa em sua essência. Era eu, na verdade, que reconhecia na imperfeição da revolta da natureza, quando não a compreendi e respeitei, a deficiência de mim mesmo. Me senti culpado pela catástrofe do mundo, por acreditar que eu não faço o suficiênte para mudar no mundo o que eu não concordo. Como se a natureza reagisse em resposta até a minhas ideias e pensamentos.
Algumas pessoas passaram por mim enquanto eu caminhava na areia e em todo o restante do percurso. Alguns fazendo o mesmo que eu. Outros indo no caminho oposto.
Alguns dormiam e vagavam subconcientes no ar. Até me confundia em alguns momentos nas ondas que vinham de tantos transeuntes, mas sem sair de uma espécie de transe consciente. Aqui estou eu parado de novo, então.
Selene já não me vê tão de perto...
Com tanto, enfim compreendo a quem destinava aquela vontade de encontrar àquele alguém. Era eu, que havia escapado um pouco de mim e que com a dor do mundo parecia ter que lidar, como se ela fosse de meu próprio corpo de células. Era eu que precisava passear e ver a lua comigo mesmo sem ninguém para interromper. Era eu com quem eu precisava estar. Era eu o único capaz de perceber que na solidão de estar consigo mesmo é que mora a cura para esse vazio que chamaram de falta. Mas como poderia eu faltar a mim mesmo? Como pude eu a mim não respeitar? Como pedir desculpas a si mesmo nesses casos? Quanta gente resolveu ir descançar depois de tanto tentar dizer que é preciso não acreditar em tudo que parece ser verdade! Não é necessário ser cético ao extremo, mas nunca se deixe perder a capacidade de questionar. Em construções muito simples, de frases ou argila, reside a chegada do aconchego e do sussego. Não está tão distante a resposta, não é assim tão intangível a real sabedoria, cuja base é o amor. A água da chuva misturada a terra vermelha invadindo e fertilizando a natureza, é nisso que quero pensar. E eu estou aqui em mim, ao mesmo tempo que em todo lugar, pois de mim provém muitas consequências até mesmo ao estar aqui aparentemente parado.