segunda-feira, novembro 29, 2010

Particularidade

Algumas coisas são impublicáveis.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Gratidão

O meu medo é o que me torna forte
força que vem do mar
das ondas, das correntes que me libertam
me levam a todos os cantos
me levam ao norte
sinto as ruas vazias
mesmo dentro de casa
visto minhas asas e asias
e de volta estou ao sul
respirando o sol
vou na beira do azul
e me mergulho em mim
na imensidão desértica das minhas veias
busco a ligação primordial
compreendê-la melhor
mas sem esforço não há regozijo
não há terra fértil que me alimente
nem morada celestial
que me acolha com risos
e abraços de amor
com humildade e respeito...
Agradeço-te, vida!

sábado, novembro 13, 2010

morro vivo II

E morrer é assim todo dia
Sem a missão que acho ter
Nenhuma escolha me diz 'sorria
Estou sendo renovada'
Sou agora nova forma de educar
Nova vontade de mudar
De fazer a roda aumentar
Nada, tudo é pouco pra saber
23 livros devo ler para o vestibular
Sem contar os que são pra vestir, burlar
Contar, bem escrever, interpretar sonhos
E pessoas...
Além da natureza pulsante das veias terrestres
Rios e lagoas...
Secando...
E tantos engenheiros a mando
De quem não sabe amar
Por promessas e dinheiro
Vieram o mundo modificar
Olhar o fundo da alma de Gaia
Da lama espessa ao gás braseiro
Criaram assim os anos da evolução
A melhor forma de lucrar...
Necessidade humana
Felicidade engarrafada,
Carinho embalado a vácuo...
Comida envenenada
Cadáveres torturados
Vivo a morte todo dia
E ela chega com caldo de alegria
Pra disfarçar o agonizante fardo
Dos escravos da industrialização
Pouco a pouco menos vivemos
O fim começa a brotar de dentro
Do coração paralisado pelo sal
Os pulmões asfixiados pelo gás
Enfermidades desconhecidas
Temperam a salada
Junto com inseticidas
Como posso escapar?
Se não sei de onde vem...
Vem de dentro pra fora
De fora pra dentro
De dentro agora
Contorce-se a vida
Resistindo assim todo dia...

domingo, novembro 07, 2010

morro vivo

Eu morro assim todo dia
Um pouco de pó e fumaça
No ar da minha melancolia
Fez a vidraça da minha veia fraca
Vir à tona pra tomar cachaça
Vira, toma de um gole só
Não sou fato nobre
Portanto faço o meu melhor
Mesmo que sejam três ou quatro doses
Amanhã tento recuperar o nó
Água de coco na garganta
Nem sei se adianta...
Com o chão seco feito boca
A minha sobriedade rota
Me pede insanidade boa
Girar rápido de mãos dadas
Fazer história na minha pousada
No meu quarto que falta metade
Enquanto soo meus versos afoitos
Sinto-te perto pouco
E morro como quem renasce

sábado, novembro 06, 2010

Finge que não me viu...

finge que não me viu\ vira o rosto para evitar\ um olhar estranhamente conhecido\ um dia que não quis reconhecer-te\ por causa do mau-humor\ ou uma briga ou desamor\ fiz questão de não lembrar essa cara\ meio torta, meio chapada\ virada pro lado oposto\ sem gosto nem composto\ que seja apresentável ao mundo\ também já me senti assim\ não queria nem olhar pra mim\ e fingi desconhecer tudo\ fechado, feito ostra\ olhava a frente sem dente\ sorrindo banguela\ feito uma velha com cheiro de naftalina\ sentei-me no banco atrás dela\ aquele odor me possuía\ me fazia lembrar minha tia-avó\ que morreu com 94 anos\ dormiu na varanda e não mais acordou\ chorei no velório com o lenço ‘naftalínico’\ desci do ônibus e meus olhos abriram\ se quem finjo não ver amanhã morrer?\ imagine se morro amanhã...\ perdeu a ultima chance de me cumprimentar\ e nem lenço você terá pra lembrar.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Vôou

Não sei mais pra onde vou
Não sei mais pra onde vôo
Não sei mais pra onde vou
Não sei mais pra onde vôo
E se vou, é pra lugar nenhum
Esse vôo é pra alugar nenhum
E se vou, é pra lugar nenhum
Esse vôo é pra alugar nenhum
É pra alugar nenhum lugar nenhum
É pra alugar nenhum lugar nenhum
E se lugar nenhum estiver pra alugar
Vou-me embora de lugar nenhum
Vôo de volta pra onde vou
Vou de volta pra onde vôo

quinta-feira, novembro 04, 2010

passara

passaram pássaros por aqui
mas não tem ninho seguro em 2010
vieram trazendo o despedir
são as placas, os postes, as calhas
nova casa em que o dia é eterno
levaram com vento memórias
sonharam criar uma história
e os pios, os cantos e latidos
já tentam acordar a cidade insônia
uma e cinquenta da madrugada
já tem luz confundindo a alvorada
e a voz tão suave que alenta
já está rouca e inflamada, doente
tanta luz pra cegar
tanto vão pra sugar
as crianças, o futuro
de quem depende?
finge-se surdo, cego, obtuso
assim talvez veja o destino da revoada
é saudade o silêncio no escuro
displicência esse sono dormente

terça-feira, novembro 02, 2010

Liquidez

Obejetos subatômicos unidos
Micro-aspectos sinérgicos telefactos
Projecionismos teleféricos, ás inócuo
Ó vertigem temperada por meu ar
Raro e feito anacrônico gás fátuo
Universos, únicos versos próximos
Vez em quando impróprios egos
Uniformes, os olhos dormem sobre
Meu intrépido soberbo fúnebre ato
Plana séria chuva viva, mas decrépita
Precipita nobre pele, gota indelével
Leva o leve e úmido floco, liberdade
Até onde a volta seja quase certa
Seja minha vértebra e válvula forte
Onde nascem os meus braços bases
Equilíbrio invertido do eco norte
Supra sumo soma ao som da sorte
Escudo intransponível às inverdades
Meu próprio néctar sabor de mim

segunda-feira, novembro 01, 2010

Olhos no escuro pra tentar ver melhor,
De perto, o (in)certo devir que sou eu.