quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Homem bicho, bicho homem


Quem tem medo que acabe o bicho ser humano?
Se o bicho que é bicho ja não pode ser bicho em paz
Sai estampado, mera ilustraçao, nas capas de livros e jornais
Quem tem medo que acabe?
E tem gente que quer salvar o mundo
Sem nem pensar no mendigo moribundo
Que aos olhos de pena e pavor
São ainda bicho homem que se mata pela dor
Quem tem que salvar quem?
Se o bicho homem acha que ele é pouco
Diante da grandeza que {ele}tem
Da verdade que pode enxergar
E do quanto a vida pode ser
Simplesmente plena
Sem entravas, nem barreiras
Ser vida enquanto vida
Vida da forma que conhecemos
E da que nao conhecemos ainda
Você é bicho, homem!

sábado, janeiro 19, 2008


De tempos em tempos a vida costuma dizer o quanto não podemos controla-la. Com alguns ela é gentil, mas com outros ela é ironicamente avassaladora. Imprevisivel!!! Essa é a palavra! Esqueçamos todos os mediuns, videntes, umbandas, macumbeiros, profetas e astrologos. Um dia nada mais é que um dia para o tempo. O tempo não se adequa as necessidades dessa raça moribunda que é o ser humano, ele vai atropelando qualquer vestigio de insegurança, devora com seus minutos a indecisão dos fracos e os mastiga com seus dentes infectados por aflição.
Mesmo sabendo disso tudo insistimos em vacilar. Claro, somos fracos diante a imensidão do tempo. É como subir no parapeito de um edificio de 700 andares, olhar para baixo e para cima. Ja não da para saber onde fica você mesmo. E sobre a queda... bom, deixa para la.
Depois das estrelas a chuva. O céu vermelho, os passos largos, gota após gota. Uma sucessão de sucessões, a vida. Na manha seguinte aquela sensação de oco. Uma tontura nas paredes, gosto de pesadelo na boca. Saí em direção. Qual direção ainda não sabia. Era sábado de manhã, uma manhã apenas. Seu nome rotacionava como um planeta em volta da minha cabeça e como um câncer dilacerava qualquer pensamento. Tropecei então numa loja onde uma amiga trabalhava, Silvia o seu nome. Era uma loja simples,algumas cadeiras para os clientes, um balcão de madeira, as roupas penduradas pelos cantos. Entrei tentando com os olhos encontrar alguma conversa, mas a loja estava vazia. Achei preços que me deixaram a sensação de não saber medir o valor das coisas. Casuais absurdos da vida. Mas a loja continuava vazia. O caixa, o provador de roupas, o condicionador de ar ligado. ''Talvez ela esteja no banheiro,'' Sentei-me numa das cadeiras, e continuei a flutuar o olhar pela loja, observando qualquer detalhe inútil. Reparei uma comigo-ninguém-pode em um dos cantos. Ficava perto da porta de vidro, talvez na intensão de deixa-la receber o reflexo do sol no asfalto. No chão a sua volta havia algumas gotas de algum líquido parecido com seiva. ''Deve ter chorado a noite toda, coitada. E agora fica aqui nessa porta tomando um sol petrificado. Deve nem saber que existe um lugar chamado floresta, onde as plantas vivem em harmonia.'' Ri de mim mesmo. Rosolvi observar o trânsito. Quase que imediatamente fixei o olhar numa kombi da prefeitura. ''SERVIÇO SOCIAL DE...'' a última palavra faltava. O trânsito a parou bem em frente a loja, e dentro da kombi branca pude observar alguns individuos meio agitados. Uma garota, talvez 18 anos, cabelos castanhos, óculos rayban e chapeu de crochê, grudou seu olhar no meu. Tentei ler seus lábios... ''??nheço ele''... apontando em minha direção. Olhei para traz como se de alguma forma eu pudesse ser invisivel naquele momento e ela pudesse ver através de mim. Quando olhei de volta o trânsito ja havia afrouxado e a kombi partia em uma direção qualquer. Mas ela estava grudada no vidro, a ponta do nariz encostada na janela, agora olhava por cima dos óculos. ''Tchau'', eu pensei. Nem sinal de Silvia. Apontei os dedões do pé para a saida e continuei minha caminhada insólita. ''Como pode alguém trabalhar numa loja e não estar nela a maior parte do expediente?''
Caminhei durante vários cigarros. Quase um ''Forest Gump'', menos saldável e entusiasmado porém. Até me encontrar diante do portão Dela. Toquei a campainha e Ela me atendeu no interfone.
-Quem é? - sua voz estava irritada
-Jude!? Sou eu! - me faltou entusiasmo para me anunciar.
- Não posso falar agora.
- Está tudo bem?
-Sim, sim. Depois explico, ta?
-Tá!
...silêncio
Naquele instante não imaginei o quanto meu dia seria longo...

sábado, novembro 24, 2007

Fez-me acreditar que saudade era simples...
e se tão escuras fossem as ruas
que meus passos devoram
Choraria em meio a qualquer multidão
de tardes vazias, que sem passar
ficam grudadas na face de qualquer
episódio de idéias e carbono.
Ton

...apenas?

sexta-feira, setembro 21, 2007

Qual realidade me pertence?
Nos dias regrados.
Cheios desses interruptores.
Onde desligo a solidão
Que passa sutil?
Mas não passa...
Se esconde, onde nem sei,
Mas sei que está.
...

quinta-feira, setembro 13, 2007


Ela é como a lua. È tão crua que quase posso escrever nas paginas da sua loucura.
Quando minguante me traz aquele instante, aquele de quando estávamos distantes.
Como fascina! E faz por querer, por saber que carrega em suas pálpebras o poder. É tão viva, tão intensa, tão profunda...
Sabe da hora de partir, mas, quando sabe que saber não é bem saber, tenta então convencer a si...
Pode ser que ela te abrace, te aqueça ou te esqueça...
Talvez ela te beije ...nas bochechas.
Mas com certeza ela estará em meus pensamentos a todo momento,
lembrarei das suas palavras ao pôr do sol...
lembrarei das promessas que se quebrarão...
dos planos que não se cumprirão...
lembrarei do seu sorriso, do seu deboche,
dos seus amores, das suas dores.
Guardarei seus medos junto com seus segredos.
E quando eu olhar para a lua cheia
lembrarei o quanto perdemos das pessoas que gostamos
e o quanto podemos ter se não houver uma forma certa de gostar
...amor, amizade... quem inventou???
não sou eu quem vai dizer
o quanto se pode ter
daquilo que nunca se sentiu
Só sei que te ter por perto
é poder conhecer o secreto
e ter gosto por entender
o que o mundo me omitiu...
by Ton ... to Mah

quinta-feira, setembro 06, 2007


Esta noite nós bebemos à juventude
E agarraremos firmemente à verdade
Eu não quero perder o que eu tinha quando era garoto.
Meu coração continua batendo
Mas o amor é agora uma proeza
Tão comum quanto um dia frio em L.A..
As vezes quando estou sozinho, eu imagino
Será que estou sob um feitiço
Que me impede de ver a realidade?
O amor dói, mas às vezes é uma dor boa e faz-me sentir vivo
O amor canta quando transcende as coisas ruins
Tenha um coração e me experimente, pois sem amor eu não sobreviverei.
Eu estou acorrentado e abusado, eu estou pelado e acusado
Será que eu deveria emergir esse submarino pessoal?
Eu só quero a verdade
Então, essa noite nós bebemos pela juventude
Eu nunca irei perder o que eu tinha quando era garoto.
[Incubus]

quinta-feira, agosto 16, 2007

Reflexões...
...
Atemporal
...
O homem sem passado
...
Um belo dia ele acordou tão cedo que mal podia enxergar suas próprias mãos diante do rosto. Andou com os pé nus sobre aquela superfície gelada, sem reconhecer quem um dia fora. Andou durante horas pensando no que fazia naquele lugar ermo, inóspito e completamente vazio. O lugar era tão vazio que nem mesmo o chão podia ser reconhecido, não havia gravidade, era impossível saber se o que era mais sólido ali era teto, parede, chão, ou a pura imaginação.
Depois de tanto tentar reconhecer aquele lugar, com tantas suposições na cabeça sobre como, quando, e porque foi parar ali. Era completamente absurdo pensar que se passava apenas de um sonho, pois sonhos têm formas, mesmo que distorcidas, cores apesar de confusas, tudo muito difuso e incompleto. Ali não. Tudo parecia ser exatamente como era. Não havia cores, nem formas, nem sons. Era tudo ligado diretamente com o pensamento daquele homem, que quando percebeu não haver sombras naquele lugar achou que havia morrido. Até que por um lapso percebeu que não importava abrir ou fechar os olhos, respirar ou não, andar ou ficar parado, era tudo sem fundamento naquele lugar. Não havia propósito nenhum que ele conhecesse ali. Era uma atmosfera absurdamente vazia.
Assim o homem ficou por horas. Perdido. Pensando...
"Você não tem passado, você não tem passado", repetiu o homem diversas vezes. Desconfortavelmente ele tinha razão, e aquela razão penetrava em seus tímpanos surdos como como dentes envenenados de serpente. Era o preço que ele havia pagado. Estava ali por vontade própria, e não havia como voltar atrás. Escolheu a solidão plena em troca de um passado pelo qual ele jamais quis ter vivido, escolheu o silêncio pleno em troca das canções que ele já não podia escutar, escolheu desaparecer em troca de olhar sua vida se consumindo, escolheu ser algo inviolável, inconfundível, abstrato, em troca de alguma certeza amarga.
Suas realidades eram testemunhas daquele pobre réu, julgado pelo pior crime que o universo impassivelmente julgara ser o pior crime. A pena, automática, era sentenciada por quem sempre fez as escolhas, sejam escolhas burras, amedrontadas, absurdas, inteligentes. O próprio homem se desfez de tantas possibilidades para curar uma ferida amarga que a vida o impôs. Se recolheu ao seu mundo vazio e sem espaço para a não ser ele.
Sua conciência foi aprisionada. O homem sem passado ja não existe.
...

..........
{by Ton}
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terça-feira, agosto 07, 2007


Sou um ilusionista
tão medíocre e desafortanado
quanto um desajeitado malabarista.
Sou faminto, sou sedento
como o vácuo,
como o vento.
Sou destroço,
sou perdido,
sou deveras esquecido.
E a vida, tão partida,
me desensina a saída
desse mundo,
desse escuro
que se tornou uma ferida.
Não sou forte, nem herói
sou humano, como tantos,
que consome e se destrói...
Como pode existir
criatura semelhante,
que, ao se despedir
do dia e da vida,
se esconde
num vívido semblante?
E assim morre
a todo estante:
desolado,
sozinho,
como morrem
os diamantes.
..........
{by Ton}
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domingo, agosto 05, 2007


As lembranças
são como navio,
como vela que apaga...
são distorcidas,
reparadas,
entorpecidas...
e, embora borradas,
são límpidas
quando as queremos
do nosso jeito.
Sem mágoas
nem defeitos...
são aguas
de um rio sem leito...
..........
{by Ton}
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sábado, julho 28, 2007


Cansei de falsos minuetos
e de tanta alegria forjada.
A vida me parece alegoria
de infindáveis presentes inúteis,
que se encolhem numa gaveta
tão significantes quanto sua poeira.

A vida pode ter tantos sentidos
que eu, aturdido, pareço caco,
pareço esquecido
diante eternas alusões a isso.

Me lembro do quanto não vivi,
me esgueirando à janela
e assistindo o pesaroso silêncio
dos que vivem sem partido,
sem esperança de poder ser mais vivo...
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{by Ton}
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quinta-feira, julho 26, 2007


você é meu anjo...
mas se esqueceu disso...
{...}
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{by Ton}
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segunda-feira, julho 23, 2007


de todas
a minha maior imperfeição
foi te querer bem
te querer além
e me perder nesse sonho vão
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{by Ton}
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sexta-feira, julho 20, 2007


quando fico mudo
não quer dizer que mudo
quer dizer que estou surdo
sonhando algum absurdo
absorvido em mim
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{by Ton}
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quinta-feira, julho 19, 2007


Eu posso ser algo por você
Posso fazer qualquer coisa
Mas agora quero estar longe
De qualquer lembrança
Que me torne vulnerável demais
Não preciso de mais uma doença sem diagnóstico
Não sou sempre um cara legal
Posso aprender a evitar meus sentidos
E ser tão cruel quanto meus castigos
E seguir sozinho só para te ver me querer
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{by Ton}
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sábado, julho 14, 2007


...e naqueles dias

de tardes vazias...

ja era tarde...
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{by Ton}
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