quinta-feira, julho 08, 2010

Andares

Vejo coisas e cores fora de foco.
Destono.
Desmancho.
Na garrafa de vinho me troco.
E é tanto amor em meu pesar,
que já não sei por onde andar.
Sopra vento de glória!
Me traga seu alento.
A erosão de minha derme,
Seu confortante tormento
É só o tempo que se atreve.
Quantos tons inventarei
nas telas de minha memória?

quinta-feira, junho 17, 2010

Comunicado

Eu não sou de ar
Eu não sou de terra
Eu não sou de água
Eu não sou de guerra

Eu só estou aqui para comunicar
A dor
Eu só estou aqui para comunicar
O amor que veio lhe falar

Comunicado, comunica a dor
Comunicado, comunica a dor
Comunicado, comunica a dor
Comunicado, comunica a dor

Eu só quero saber
Se há algo a se fazer
Se minhas simples palavras
Pudessem emudecer
incríveis construções, barragens e foguetes
represas, embarcações, industrias e internet
Falaria que o nada é o pior lugar
E que lá não se aprende, nem se pode lutar
Queimadas, poluição, esgotos e cimento
São todos criação do homem seu próprio tormento

E tanta fome, guerra até santa
Prisão, desonra por causa de uma planta
Diarréia, desnutrição, febre, cólera, aids
Enganam a população com páginas nos jornais
(que dizem)
Seja feliz, classifique aqui
Promoção de natal, vote em mim


(musiquei isso na madrugada de hj, rs... cantado fica melhor! =D)

sábado, junho 05, 2010

deus

se assim for
não me sou!
apenas me dôo
mas e então?
o que penso
sobre meu vôo
sou um ermitão?
um pagão
que se amedronta
diante o próprio chão?
não!
esse rótulo é só confusão
sua,
nua polidez!

sorrio

quem é assim tão sábio?

pure

Nem tudo o que sou é asilo
nem todo asilo me é exílio
sou apenas auxílio do free
at wait ser assim
pouco morno
nem contorno
algo dibetano
algo intrínseco ao ser
ao eu que somos
ao deus que nos tratamos
sendo o que sou
algo que sobrou
do que for
fores
flores
mas assim
inexplicávelmente
eu...

terça-feira, junho 01, 2010

encontro

ao acaso todas as coisas se casam
e se fazem sintonia perfeita
se tornam, ou ja eram complementares
apenas demoraram a se encontrar
é o acaso que move a aleatoriedade pérfida
dos momentos que chamamos de amor
o que nos parece mágico e trágico
o que nos nutre e assola a alma

por acaso alguém tem um trago?

terça-feira, maio 25, 2010

saudade

quero seus lábios como quero um mergulho
quero seus olhos para desfazer meu orgulho
e viver de carinhos seus...

segunda-feira, maio 24, 2010

gira roda

Gira roda, gira
diga quem vai ou fica
Roda gira, roda
se não passou ainda é hora

Tão distante é teu contorno
tão fulgaz é teu sorriso
quando vejo teu sonhar
sinto solto, leve o juízo

Um dia desvendarei valente
quantos mistérios vos fazertes
mais forte e sábio serei
com tua voz entre meus dentes

Ah, que bela tarde provaria
se minha vida fosse nua
se caminhasse pela rua
com toda nossa cantoria

Mas gira bola,sem timidez
pois é chegada minha vez
Mas roda,gira sem rugir
chegou a hora de me ouvir

domingo, maio 23, 2010

instante

De repente todas as coisas me saltaram
como se presenciasse erupções de idéias
mas todas misturadas como cores
tentei com as mãos detê-las
mas quais palavras usarei?
ainda não existem tantas coisas
só existe o que já foi
nesse instante todas as coisas me fugiram
e novamente me pus a pensar provérbios feitos

sábado, maio 22, 2010

espera

Essa espera pode ser longa...
melhor sentar e ler o jornal
melhor enfeitar as bordas das janelas
com um toque de desfoque
molhar as plantas secas
dar comida aos animais
desentupir a pia
lavar as roupas brancas
e dizer adeus a infância...
adeus aos cabelos
adeus aos amigos
familiares e amores
Ah, a encomenda chegou!
Até que foi rápido!

sexta-feira, maio 21, 2010

percepção

Por quinze minutos o mundo é de papel
desenho bolhas, paredes e cérebros
uma marcha de troços pelo céu

minha mente híbrida e insólita
caminha no tempo feito luz
distante sem fronteiras
uma porta me seduz

qual sabor descobrirei
por tantas vidas que velei
tantos tratos que selei

detras dela surge eis
sou eu outra vez
Agora me vejo aqui
entre emails que nem sei de onde vêm
tentando encontrar algo mais que palavras
mas aqui nada é de papel
só a impressora sabe
horas da minha tarde
em que poderia andar por aí
fazer palhaçada ou cantar
passei aqui mais uma vez
pra talvez dizer ao mundo
que interneticamente minhas palavras são tudo
e nada...

=)

quinta-feira, maio 06, 2010

Mensagem no escuro

O que fazer quando a vontade se esgota
Deixando na garganta uma dose de derrota
Aquela pronta para ser a última gota
Feito veneno que dilacera a vida
Deixando as veias entopidas
da adiposidade mórbida
dos dias que não querem ser
Tantas falacias inacabadas
que no findar da hora
me consome de fenecer
Noite maldita que me cala os sonhos
no momento da volta para não adoecer
Não diga ao meu peito aberto
sangrando e desnudo
que há tempo para tudo
só não há para sofrer
Pois meu choro é vela
ardendo na face do crente
que pede ao Tudo a chance de vencer
Mas de que adianta a luta
por justa proteção ao que é singelo e puro
se esse mesmo apuro
me causa hipócrita desonra.
já que a luta é por si violência
e com ela a clemência é mera delonga.

sábado, maio 01, 2010

quiz dizer a mim que não queria a ti
mas estava triste e cansado de mentir
esse discreto olhar não quiz permitir
assim fazer a ti ter saudade de mim

saudade que tenho do amor sem nó
a não ser o dos corpos entoando um só
sem injúrias, falsetes, desafinados em dó

é sem tempo da paixão ser o chão
dessa lida insalubre sem par nem mar
desses passos arados sem saber semear
dessa fé desatenta que acalenta a solidão

mas, não sei, não... sei!
quase perco a ti a todo instante
por não saber se ao te querer
estou a um passo de te não ter
amor é mesmo ardente
se não arde por ser paixão
arde por ser doente

sábado, março 13, 2010

Passo

Minha inspiração está no indescritível
Como se música pudesse ser muda
E toda transparência fosse nua
Mas não, nada se faz impossível
Tudo é uma imensa colcha tricotada
Cheia de nós de gargantas engasgadas
Evaporam-se até ardentes nuvens
Oriundas de um medo indizível
Inerente ao todo vivente
Que se agarra e se espalha
Entre as falhas dessa mentira algoz
Na qual fazemos nossa morada
Para tornar o amor algo veloz...
Habitando reações atômicas
De nossa pele em êxtase
Do medo de sentir o que um dia
Pareceu nunca mais poder ser
E após o sofrimento alvorecer
Uma despedida cheia de feridas
Uma tristeza ainda não sofrida
Quanto medo, quanto apego o desapego querer...
Sim, minha insanidade me faz monstro
Ela me vela prezados sentidos
Sinto-me tão muito pouco!
Às vezes por sentir esse oco
Permito-me viver o inevitável
Assobio o prelúdio instável
Das minhas horas incertas
Liberto-me como louco
A dizer hereges verdades
Que não me cabem ser ditas
E por isso me sinto saudades
Por isso me desejo mais vida