segunda-feira, agosto 03, 2009

Amor quase sóbrio

Por algum tempo acreditei que existia alguma dose alcoólica equivalente ao adormecer da sua ausência. Passei horas a cantar a minha alva querência de você, mas me tornei rouco antes de terminar a melodia que me traduzia...
Tantas almas solitárias se confundem diante de mim. Não sabem sequer se sou humano de carne e osso, no entanto não sou mesmo um poço de humanidade. Porém me considero humano o suficiente para não desconsiderar qualquer ser, humano ou não.
Sou também nesse momento alma solitária, pois minha intensa realidade nada mais é que abstração. Tantas teorias em pról do vão acaso de viver, sem conhecer a extensa capacidade de ser surpreendido pelo despropósito da vida. Faço então das feridas um calo resistente ao inevitável, tentando confiar nos meus sentidos confusos e me concentrar nas coisas que amo.
As coisas que se vão sem voltar são tão presentes quanto as coisas que jamais irão. A carne se vai. A dor. O rancor. Mas não o amor.O que sou agora é uma fração consequente do que sempre serei. Mas não serei só, pois minha missão é despertar o que se tem adormecido: o amor!

5 comentários:

Anônimo disse...

Como vc faz isto?
Como é capaz de traduzir em palavras as agonias da alma?
As vezes imagino que vc tenha uma vida paralela...no sentido físico mesmo!
De tarde, planetarista, e de noite até de manhã se dedica a estudar verossimilhanças, leixa-pren, anacolutos...e por isso não tem tempo para a matemática (quem tem?) e anda sempre sonolento. Por causa da vida paralela. Só pode!
Não consigo acreditar que isso seja nato. Sim, duvido da sua capacidade! Admito com um misto de vergonha e orgulho. É muito surpreendente!
Independente de como o faz, tudo que quero é implorar: Por favor, me embale com seu faz de conta.

Echoes disse...

digo sim...

Tati Japa Girl disse...

Ow...bom te ver escrevendo. Adooooro! =*

Déia disse...

Nossa! Que postagem mais linda!

Mostra uma reflexão, uma procura e um encontro de sí!

Fantástico! Vc escreve muito bem!

Voltarei para ouvir suas histórias!
bj

Eric R. disse...

Brilhante texto,ao mesmo tempo que passa uma melâncolia reflete uma esperança.
Final excepcional.

Congratulações.