sábado, junho 05, 2010

pure

Nem tudo o que sou é asilo
nem todo asilo me é exílio
sou apenas auxílio do free
at wait ser assim
pouco morno
nem contorno
algo dibetano
algo intrínseco ao ser
ao eu que somos
ao deus que nos tratamos
sendo o que sou
algo que sobrou
do que for
fores
flores
mas assim
inexplicávelmente
eu...

terça-feira, junho 01, 2010

encontro

ao acaso todas as coisas se casam
e se fazem sintonia perfeita
se tornam, ou ja eram complementares
apenas demoraram a se encontrar
é o acaso que move a aleatoriedade pérfida
dos momentos que chamamos de amor
o que nos parece mágico e trágico
o que nos nutre e assola a alma

por acaso alguém tem um trago?

terça-feira, maio 25, 2010

saudade

quero seus lábios como quero um mergulho
quero seus olhos para desfazer meu orgulho
e viver de carinhos seus...

segunda-feira, maio 24, 2010

gira roda

Gira roda, gira
diga quem vai ou fica
Roda gira, roda
se não passou ainda é hora

Tão distante é teu contorno
tão fulgaz é teu sorriso
quando vejo teu sonhar
sinto solto, leve o juízo

Um dia desvendarei valente
quantos mistérios vos fazertes
mais forte e sábio serei
com tua voz entre meus dentes

Ah, que bela tarde provaria
se minha vida fosse nua
se caminhasse pela rua
com toda nossa cantoria

Mas gira bola,sem timidez
pois é chegada minha vez
Mas roda,gira sem rugir
chegou a hora de me ouvir

domingo, maio 23, 2010

instante

De repente todas as coisas me saltaram
como se presenciasse erupções de idéias
mas todas misturadas como cores
tentei com as mãos detê-las
mas quais palavras usarei?
ainda não existem tantas coisas
só existe o que já foi
nesse instante todas as coisas me fugiram
e novamente me pus a pensar provérbios feitos

sábado, maio 22, 2010

espera

Essa espera pode ser longa...
melhor sentar e ler o jornal
melhor enfeitar as bordas das janelas
com um toque de desfoque
molhar as plantas secas
dar comida aos animais
desentupir a pia
lavar as roupas brancas
e dizer adeus a infância...
adeus aos cabelos
adeus aos amigos
familiares e amores
Ah, a encomenda chegou!
Até que foi rápido!

sexta-feira, maio 21, 2010

percepção

Por quinze minutos o mundo é de papel
desenho bolhas, paredes e cérebros
uma marcha de troços pelo céu

minha mente híbrida e insólita
caminha no tempo feito luz
distante sem fronteiras
uma porta me seduz

qual sabor descobrirei
por tantas vidas que velei
tantos tratos que selei

detras dela surge eis
sou eu outra vez
Agora me vejo aqui
entre emails que nem sei de onde vêm
tentando encontrar algo mais que palavras
mas aqui nada é de papel
só a impressora sabe
horas da minha tarde
em que poderia andar por aí
fazer palhaçada ou cantar
passei aqui mais uma vez
pra talvez dizer ao mundo
que interneticamente minhas palavras são tudo
e nada...

=)

quinta-feira, maio 06, 2010

Mensagem no escuro

O que fazer quando a vontade se esgota
Deixando na garganta uma dose de derrota
Aquela pronta para ser a última gota
Feito veneno que dilacera a vida
Deixando as veias entopidas
da adiposidade mórbida
dos dias que não querem ser
Tantas falacias inacabadas
que no findar da hora
me consome de fenecer
Noite maldita que me cala os sonhos
no momento da volta para não adoecer
Não diga ao meu peito aberto
sangrando e desnudo
que há tempo para tudo
só não há para sofrer
Pois meu choro é vela
ardendo na face do crente
que pede ao Tudo a chance de vencer
Mas de que adianta a luta
por justa proteção ao que é singelo e puro
se esse mesmo apuro
me causa hipócrita desonra.
já que a luta é por si violência
e com ela a clemência é mera delonga.

sábado, maio 01, 2010

quiz dizer a mim que não queria a ti
mas estava triste e cansado de mentir
esse discreto olhar não quiz permitir
assim fazer a ti ter saudade de mim

saudade que tenho do amor sem nó
a não ser o dos corpos entoando um só
sem injúrias, falsetes, desafinados em dó

é sem tempo da paixão ser o chão
dessa lida insalubre sem par nem mar
desses passos arados sem saber semear
dessa fé desatenta que acalenta a solidão

mas, não sei, não... sei!
quase perco a ti a todo instante
por não saber se ao te querer
estou a um passo de te não ter
amor é mesmo ardente
se não arde por ser paixão
arde por ser doente

sábado, março 13, 2010

Passo

Minha inspiração está no indescritível
Como se música pudesse ser muda
E toda transparência fosse nua
Mas não, nada se faz impossível
Tudo é uma imensa colcha tricotada
Cheia de nós de gargantas engasgadas
Evaporam-se até ardentes nuvens
Oriundas de um medo indizível
Inerente ao todo vivente
Que se agarra e se espalha
Entre as falhas dessa mentira algoz
Na qual fazemos nossa morada
Para tornar o amor algo veloz...
Habitando reações atômicas
De nossa pele em êxtase
Do medo de sentir o que um dia
Pareceu nunca mais poder ser
E após o sofrimento alvorecer
Uma despedida cheia de feridas
Uma tristeza ainda não sofrida
Quanto medo, quanto apego o desapego querer...
Sim, minha insanidade me faz monstro
Ela me vela prezados sentidos
Sinto-me tão muito pouco!
Às vezes por sentir esse oco
Permito-me viver o inevitável
Assobio o prelúdio instável
Das minhas horas incertas
Liberto-me como louco
A dizer hereges verdades
Que não me cabem ser ditas
E por isso me sinto saudades
Por isso me desejo mais vida

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

um devaneio qualquer

"Estranho pensar na vida como um eterno vai-e-vem desmedido. Estranho me sentir angustiado com coisas que nunca vivi, mas que sei que acontecem. Gostaria de ser um pouco menos questionador, talvez facilitaria a minha tão ansiada plenitude. Estou sempre me cansando e descansando de transformar minhas angustias em fumaça e alcoolismo. Como se ao evaporarem o alcoól e o carbono pudessem me transportar a algum momento de satisfação. O máximo que consigo é me aproximar de uma estúpida ressaca e de um câncer qualquer.
Essa mania de desconstruir as coisas ainda vai me enlouquecer. Já me vejo velhinho perdido entre a sala de estar e a cozinha espalhando meus absurdos obtusos pelos corredores da minha quase vida. Se eu pudesse guardaria toda paixão inútil, toda ingenuidade infantil e todos outros momentos que acho merecerem maior valor memorável para transformar tudo em um elixir contra a solidão mendiga que vejo cada vez mais próxima do meu futuro sofá vermelho de três lugares.
Só que agora já penso que ser tão questionador não seja de todos o maior mal, talvez seja na verdade a minha salvação, o que me livra de certos comodismos aos quais a raça humana vem sendo cada vez mais suscetível. O problema é que quando preciso escapar ninguém vai me oferecer alguma solução. É mais fácil instigar nos outros esse sentimento de impotência diante todas essas conjecturas malucas formuladas a partir sabe-se lá Jesus.
O amor é o que me torna sóbrio e mais próximo de mim."

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

divagações do fim de rock

Qual seria a surpresa ao sair numa madrugosa cidade do interior e não encontrar nada além do que pessoas em busca de prazeres. Mas não limite a palavra prazer aos ditos da carne. Tanto os prazeres mentais, sociais e, me atreveria a dizer, espirituais, quanto os diretamente ligados às experiências corporais aparentemente complementam as nossas necessidades.
Ao ver o olhar daquela prostituta da ponte, cheio de um indesejável prazer, consigo construir em minha mente o percurso de toda uma existência também indesejável; algo que escapa a simplicidade e obviedade de uma existência plena e harmoniosa com o mundo. Quem sou eu para julgar algo tão verossímil senão um filho da mãe que se despreocupa dos afazeres mais simples de um ser-humanóide moderno. Que vivência me justifica entender o olhar triste, desolado e sedento da puta como uma transgressão ao que eu desejaria à vida de qualquer criatura que seja? Nessa hora é que sorrio inconveniente. Aquele riso nervoso que me torna alheio a algum tipo de existência que me pareça sentencial, como um fruto de comportamentos padronizados pela moral majoritária ou qualquer preceito camufladamente aceito pela society.
Não sou digno de julgamentos, apenas descrevo minhas análises pessoais, que podem ou não ser descartadas. Mas não seriamos todos comparáveis a puta a espera do destino? O que pode parecer uma sentença no fim se torna mais um fracasso ou vitória colecionável. Acreditar naquela única saída enquanto o universo nos oferece infinitos caminhos. Se aproveitar de certas necessidades humanas para não fenecer diante dos inúmeros obstáculos que nos rende viver. Se agarrar a qualquer conveniência para satisfazer o que acreditamos ser de fato uma necessidade. Se entregar a algum prazer que pareça satisfatório. Essa sensação de satisfação é que nos faz pensar que o prazer é algo explorável e até negociável, o que acaba deturpando o sentido do amor, da amizade, da paixão, da compaixão, da própria experiência de estar vivo.
Só há sobriedade nas coisas que não sejam letais. O meu prazer está em viver tantas experiências diferentes em tão pouco tempo, sem esperar por momentos melhores ou piores, como uma criança enterrando as frágeis mãozinhas na areia molhada da praia pela primeira vez e experimentando as melhores sensações que a natureza de nossa existência pode oferecer. Denegrir, aceitar, ponderar ou ignorar são ações que identificam nossos pensamentos e o que fazemos com eles, só que ainda não sei qual é a pior delas. Cada momento de nossas vidas é irregenerável, passar por eles sem sorver no mínimo algo que possa me construir melhor é uma burrice irremediável na maioria das vezes cometida quando achamos que as coisas devem ser da forma que estão. Tudo é mutável e inconstante, a maior prova disso está no que você acredita ser o amanhã, mas que na verdade é sempre o hoje. Temos que aprender com as crianças.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Sobre liberdade

Entre as cidades ainda existe um mundo
Correndo entre as árvores um homem vai
Fugindo do asfalto e do assédio dos carros
Despertando inocente o amor pelo mar
Ele pode sentir o vento
Ilustrar com estrelas o céu
Ele pode amar sem tempo
Fazer da areia o papel
Poetizar até de madrugada
E ali se expressar sobre a Liberdade
Dizer ao tudo sobre o nada
Cantar a noite com a Amizade
Mas...
Entre as árvores ainda existem cidades
Correndo entre os mundos o homem vai
Fugindo do mar e do assédio dos inocentes
Despertando os carros e o amor pelo asfalto
Esse não sabe o que é o vento
Pinta de negro o seu tempo
E definha entre as grades do ódio
Quem te libertará?

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Anedota cotidiana

Descontente com prudências exacerbadas,

às vezes me descuido em palavras

que ainda não podem ser ditas ou ouvidas.

Tento compreender e em mim traduzir

todo esse alvorecer de idéias a se fazer

nos momentos em que não almejo saídas.

Sair me parece vagamente uma despedida

feita de adornos e acordos quaisquer,

se fecham as cortinas e se esquece, se quiser.

Por assim ser me sinto insano,

quase o pano dessa cortina

que outro espetacular enredo espera.

É sobre primavera, fim do mundo?

Larga esfera de possíveis atos,

ou me vendo por um vinho barato,

que me será mais confortante

que as estantes de documentos

processuais das minhas íntimas questões.

Ou tento ser tão esperto quanto tantos...

Que audácia viver distante!

O que posso esperar desse afélio resfriante,

senão a própria alienação dos meus instantes.

A mendicância por se possuir,

a fome de se destruir,

o medo de se contrair,

é a vida tentando sair.