segunda-feira, agosto 23, 2010

Sacrilégio

Todo preço tem um acesso
nem toda variação
é o bom progresso.
Muito menos obtusor
como o motor,
que me leva pra lugares
iirrísórios e incorretos.
Mas do universo absorve
nuvem, fogo e robôs.
Sinto chegar ônibus
espremendo o fim do dia,
não me leva a nenhum fato.

Toda revolução a ascender
no balcão das super ofertas
discursa e tem no bolso retrato.

Tão querendo me vender algum destino.
Garantiram, mas mexeram em sonhos limpos.
Sugeriram que eu tinha uma escolha,
pois assim fico contratualmente livre.
Mas não deixaram eu comprar a bicicleta
que eu queria pra chegar no meu jardimbolha.

Só que um dia mesmo cansado, quase enfermo.
Mesmo atrasado, sem documentos e sem passado.
Estarei vivo em outro verso
ou num impresso que não foi lido,
ou só um dado
de uma cyber face.
Registrar me importa, é a porta do traço.
Do tronco, que me suporta.
No tombo, que me faz lívido
tomo equilíbrio pra ser de aço
e o discípulo de um sacro soro que é a vida!
Não tenho medo da renovação!

Um comentário:

Isabela Bimbatto disse...

Gostei muito! principalmente do último parágrafo. (: