Mas que merda do satanás
Na dá pra aguentar assim
não posso nem cagar em paz
que já tem gente querendo
convidar a sobra pra sair
vai e me deixa aqui
no meu trono flatulento
nojento, mas todo mundo faz
prefiro isso que perder
meu tempo com essa
tv pra burlar brasileiro
é sempre a mesma confraria
uns cagam, outros limpam
como a dialética da cidadania
e depois que digiro
vai tudo praquele lugar
nessas eleições já sei
qual botão vou pressionar
o da descarga!
xuáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
domingo, agosto 22, 2010
cria
cria cria, criatura
cria, cria, cria cria
crê no que depois
vai ser sua dúvida
cria tua nova fábula
cria em quase tudo
mas hoje descria
o caminho tortuoso
cria nova criatura
cria tua sinergia
que é vacina crua
contra(tua) alergia
cria nova
renovada fonte
cria em todo absurdo
nova caça, nova rua
ah, cria, cria, cria
essa bossa cria tua
é só dorso dalegria
que cansaço, criatura
perco a hora quando durmo
amanhã é outro dia
mas assim mesmo
cri a tua cria, cria, cria
cria, cria, cria cria
crê no que depois
vai ser sua dúvida
cria tua nova fábula
cria em quase tudo
mas hoje descria
o caminho tortuoso
cria nova criatura
cria tua sinergia
que é vacina crua
contra(tua) alergia
cria nova
renovada fonte
cria em todo absurdo
nova caça, nova rua
ah, cria, cria, cria
essa bossa cria tua
é só dorso dalegria
que cansaço, criatura
perco a hora quando durmo
amanhã é outro dia
mas assim mesmo
cri a tua cria, cria, cria
quarta-feira, agosto 18, 2010
Colho amoras entre tragos
Olho em torno as possibilidades
Me cercam mas não me aguarde
Fazer nem uma parte desse cargo
Estudo a vida naturalmente
Encontro saídas e portas trancadas
Olhos vigilantes avisam pacientes
Que a sombra e vento
Não têm sórdida morada
Um passeio em volta
Me revela a verdade
Que agora é a nova clemência
Mas não garante a estada
Se quiser competir com as vespas
Adicione ao ferrão conciência
Olho em torno as possibilidades
Me cercam mas não me aguarde
Fazer nem uma parte desse cargo
Estudo a vida naturalmente
Encontro saídas e portas trancadas
Olhos vigilantes avisam pacientes
Que a sombra e vento
Não têm sórdida morada
Um passeio em volta
Me revela a verdade
Que agora é a nova clemência
Mas não garante a estada
Se quiser competir com as vespas
Adicione ao ferrão conciência
terça-feira, agosto 17, 2010
sonho tato
Esquenta meu lânguido tato
Desabotoa meu jeans e umedece
A boca cansada dos fatos
Apareça como sonho diário
Atrevessa com sopro quente
Minha viva carne mediata
Amanheça minha sombra dormente
Seja meu livro de cabeceira
Meu papel, minha letra
Absorva a pele rota e
Destoa a solidão da minha beira
Que te susurro no pescoço
Aquela melodia de ardor
Tange louca minha febre
Aconchegue a segurança
Do nosso quase amor
Cheio de desatinos e besteiras
Que adiam essa viga de lugar
Não despeça-se tão breve
Seja leve como flor
E me beije repentina
Até a noite acabar
Desabotoa meu jeans e umedece
A boca cansada dos fatos
Apareça como sonho diário
Atrevessa com sopro quente
Minha viva carne mediata
Amanheça minha sombra dormente
Seja meu livro de cabeceira
Meu papel, minha letra
Absorva a pele rota e
Destoa a solidão da minha beira
Que te susurro no pescoço
Aquela melodia de ardor
Tange louca minha febre
Aconchegue a segurança
Do nosso quase amor
Cheio de desatinos e besteiras
Que adiam essa viga de lugar
Não despeça-se tão breve
Seja leve como flor
E me beije repentina
Até a noite acabar
segunda-feira, agosto 16, 2010
tinja cinzazul
Quando acordei ontem
pensei não ter ditongo
que me animasse.
Fiz rondas taciturnas em meu leito
a procura de uma alvorada alvoroçada,
mas o dia veio lento
e o sol quase nem me viu
Passei perto daqueles rabiscos
e alguns infames amores antigos
me disseram preu sair
Fui onde não lembro
Haviam tantos caminhos entre-passos
que me descobri na multidão de vagalumes,
tantos que não soube quem.
Na clareira, numa faca sem fio,
fiz morada na poeira da serra
Prolonguei a minha estada
deitado na manta da molhada grama
Quis a lágrima da chuva
na minha boca ressequida
Foram tantas amargas verdades
no cantejo dos lábios das fadas
que pensei não mais ter vida
Gritei mudo saraivada de palavras
obstruindo meus resquícios de esperança
Enquanto a fogueira de fogo fátuo
vinha pousando sobre meus calados pés
A dama as horas sagradas coroou
e minha porta fechada pronunciou três vezes
A morte é lenta mas voraz
a sorte venta, meu rapaz
a dor é forte, mas você mais!
Enfim decidi partir
Colhi as malas, os hiatos
e sumi dali
Vieram ouvir crianças o que vi
Desmantelei desconfianças
Nas aquarelas dela me destrai
Ensaiei tímido alguma canção
No fim aplausos de quase alegria
ouvi o dia cinza, quase engana,
desvela sambas, se perde aqui
na cidadela das falsas mangas
só dá pra ver cabides
de poeira e amarrotadas
velharias que deveriam
na chama pronta se consumir
Vamos, isso foi ontem
já é outrora nova fonte
profana e santa forma
do dia que agora
é meu faquir
pensei não ter ditongo
que me animasse.
Fiz rondas taciturnas em meu leito
a procura de uma alvorada alvoroçada,
mas o dia veio lento
e o sol quase nem me viu
Passei perto daqueles rabiscos
e alguns infames amores antigos
me disseram preu sair
Fui onde não lembro
Haviam tantos caminhos entre-passos
que me descobri na multidão de vagalumes,
tantos que não soube quem.
Na clareira, numa faca sem fio,
fiz morada na poeira da serra
Prolonguei a minha estada
deitado na manta da molhada grama
Quis a lágrima da chuva
na minha boca ressequida
Foram tantas amargas verdades
no cantejo dos lábios das fadas
que pensei não mais ter vida
Gritei mudo saraivada de palavras
obstruindo meus resquícios de esperança
Enquanto a fogueira de fogo fátuo
vinha pousando sobre meus calados pés
A dama as horas sagradas coroou
e minha porta fechada pronunciou três vezes
A morte é lenta mas voraz
a sorte venta, meu rapaz
a dor é forte, mas você mais!
Enfim decidi partir
Colhi as malas, os hiatos
e sumi dali
Vieram ouvir crianças o que vi
Desmantelei desconfianças
Nas aquarelas dela me destrai
Ensaiei tímido alguma canção
No fim aplausos de quase alegria
ouvi o dia cinza, quase engana,
desvela sambas, se perde aqui
na cidadela das falsas mangas
só dá pra ver cabides
de poeira e amarrotadas
velharias que deveriam
na chama pronta se consumir
Vamos, isso foi ontem
já é outrora nova fonte
profana e santa forma
do dia que agora
é meu faquir
sexta-feira, agosto 13, 2010
Rápido
Preciso dizer rápido minhas horas me devoram mas estou a correr pra dizer rápido que estou a pensar em você que daqui a pouco vou te encontrar em alguma bifurcação e te entregar uma canção de amor pra você levar pra onde for e correr rápido pra me reencontrar lá naquele lugar longe do acaso perto dos passos que vão nos orientar até onde ainda não sei mas vou rápido até esse dia raiar se me chamar estarei lá e não vou pra outra dimensão nem você vai virar nuvem a flutuar pois vou tão rápido pra te segurar em meu coração e seus olhos beijar e da angustia te curar e bem rápido vou lentamente te respirar em minhas mãos te acalmar e um novo caminho há de surgir um novo lugar há de sorrir pra nós dois que somos um assim tão rápido.
quarta-feira, agosto 04, 2010
Observo
Da Terra há vista
Um espaço
Temida onipresença sem par
Sideral
Coisa escura sem leis a guiar
Cheio de vazios e etéreos contornos
Nada de bossa, rock’n’roll nem carnaval
Energias obtusas a se encontrar
Daqui de perto é só paixão
Olhar discreto destemido
Ansiando a resposta do infinito
Colateral
Dentro da órbita ocular
Certo das horas que passei
A esperar pelas respostas que amei
Ensinaram-me a desbravar
Questionar, duvidei
Do unissono da verdade
Reciprocidade turva
Que desertam meu sonhar
Reflexo
Abrupto de mim
Novas histórias, indivíduos
Que sou sem saber
Sou você no fim
E você é eu a dizer
Que entender não basta
Conhecer é casca
E não amar querer
É sorver
De saudade
Um espaço
Temida onipresença sem par
Sideral
Coisa escura sem leis a guiar
Cheio de vazios e etéreos contornos
Nada de bossa, rock’n’roll nem carnaval
Energias obtusas a se encontrar
Daqui de perto é só paixão
Olhar discreto destemido
Ansiando a resposta do infinito
Colateral
Dentro da órbita ocular
Certo das horas que passei
A esperar pelas respostas que amei
Ensinaram-me a desbravar
Questionar, duvidei
Do unissono da verdade
Reciprocidade turva
Que desertam meu sonhar
Reflexo
Abrupto de mim
Novas histórias, indivíduos
Que sou sem saber
Sou você no fim
E você é eu a dizer
Que entender não basta
Conhecer é casca
E não amar querer
É sorver
De saudade
domingo, agosto 01, 2010
vento que te beija
O vento que te beija
a ave que no ar graceja
a certeza, a cerveja
compartilhada
o encontro, a partida,
a chegada
Na distância horizonte
fumaça polida
a ilha
o mar
a despedida
Há muitos pés aqui
muita vida e paz
mas o que eu queria
já é outro dia
tarde que clara faz
eu sair por aí
desvelando a saudade
que luzia
...mas o que eu quero
é ser o vento
a ave que no ar graceja
a certeza, a cerveja
compartilhada
o encontro, a partida,
a chegada
Na distância horizonte
fumaça polida
a ilha
o mar
a despedida
Há muitos pés aqui
muita vida e paz
mas o que eu queria
já é outro dia
tarde que clara faz
eu sair por aí
desvelando a saudade
que luzia
...mas o que eu quero
é ser o vento
sábado, julho 31, 2010
Não inventa uma desculpa
não invada o absoluto
não discuto
pois assim eu sou melhor
eu sou astuto
Caçador de prateleiras
inventor de verdadeiras condições
Toda essa sua elevação
escorrega no metal
desintegra o social
vira tudo alienação
Original é propaganda falsa
que disfarça
mas não nega
a contradição
Carnívoro!
não invada o absoluto
não discuto
pois assim eu sou melhor
eu sou astuto
Caçador de prateleiras
inventor de verdadeiras condições
Toda essa sua elevação
escorrega no metal
desintegra o social
vira tudo alienação
Original é propaganda falsa
que disfarça
mas não nega
a contradição
Carnívoro!
terça-feira, julho 27, 2010
Magnólia
Magnólia, olha
olha para o céu
o tempo passa e você nem nota
o luar encoberto
você parada na porta
o tempo passa e você nem nota
olha, Magnólia
é noite a várias horas
o sol já se pôs
e você parada na porta
olha para os lados
a vida é muito curta
os dias anda mais
não vá se queixar
se seus sonhos ficarem para trás
Magnólia, olha
não fica aí estatelada
como se tivesse perdida na estrada
os dias passam e você nem nota
a morte finda
apenas disfarça
pois aí nada passa
a noite às estrelas
olha, Magnólia
se não olhar
não vê as belas
maravilhas que sem ti
são cegas se
não vê-las passar
olha, Magnólia
pois só é belo aquilo que se passa
só é sentido aquilo que se abraça
mas a noite passa e você nem nota
Magnólia, olha
é chegada a aurora
olha para o céu
o tempo passa e você nem nota
o luar encoberto
você parada na porta
o tempo passa e você nem nota
olha, Magnólia
é noite a várias horas
o sol já se pôs
e você parada na porta
olha para os lados
a vida é muito curta
os dias anda mais
não vá se queixar
se seus sonhos ficarem para trás
Magnólia, olha
não fica aí estatelada
como se tivesse perdida na estrada
os dias passam e você nem nota
a morte finda
apenas disfarça
pois aí nada passa
a noite às estrelas
olha, Magnólia
se não olhar
não vê as belas
maravilhas que sem ti
são cegas se
não vê-las passar
olha, Magnólia
pois só é belo aquilo que se passa
só é sentido aquilo que se abraça
mas a noite passa e você nem nota
Magnólia, olha
é chegada a aurora
segunda-feira, julho 26, 2010
regresso
Tchau
Agora que chego abre-se um vão
o lado do imã que expulsa vem
as derrotas na carapuça
as vitórias na mala de mão
A partida inevitável
arrebata sentidos
a despedida inadiável
não me sai dos ouvidos
Ela ainda não chegou
para me dizer o quanto foi bom
falou que amanhã seria melhor
e desligou
Jovem me apresento
Velho me despeço
Cansado ou desatento
Chega a hora do regresso
Oi!
Agora que chego abre-se um vão
o lado do imã que expulsa vem
as derrotas na carapuça
as vitórias na mala de mão
A partida inevitável
arrebata sentidos
a despedida inadiável
não me sai dos ouvidos
Ela ainda não chegou
para me dizer o quanto foi bom
falou que amanhã seria melhor
e desligou
Jovem me apresento
Velho me despeço
Cansado ou desatento
Chega a hora do regresso
Oi!
quinta-feira, julho 22, 2010
desajuste
Esse sabor insípido
da superfície fria do espelho
Que fumega o trisco
do silêncio que me norteia
Solidão que é de dentro para fora
como olhar uma parede nua
é o passar lento das horas
a distância insossa e crua
Quando chover de novo juro
não desferir flechas no escuro
nem sonhar demasiado
nem morrer no primeiro ato
Os sonhos estão distantes
onde a abóbada do destino desencontra
a verdade sobre a turva ponta
que me descansa na sua sombra
Mas ainda o amanhã me fomenta
mesmo nas horas de triste sonolência
mesmo nos dias que não amanhecem
mesmo quando a dor me alimenta
Sigo como o visgo da suma afronta
que se agrega a novas rimas
a finda, a esquiva e a desmonta
Parasita da vida
infortúnio afortunado
acrescenta-me
atrozmente
atormenta-me
indecente
Ciclovias paralelas
velozmente desconexas
onde caibo
nas janelas?
Transeuntes de portelas
picardia de donzelas
onde encaixo
minhas pernas
Entre outros desencontros...
da superfície fria do espelho
Que fumega o trisco
do silêncio que me norteia
Solidão que é de dentro para fora
como olhar uma parede nua
é o passar lento das horas
a distância insossa e crua
Quando chover de novo juro
não desferir flechas no escuro
nem sonhar demasiado
nem morrer no primeiro ato
Os sonhos estão distantes
onde a abóbada do destino desencontra
a verdade sobre a turva ponta
que me descansa na sua sombra
Mas ainda o amanhã me fomenta
mesmo nas horas de triste sonolência
mesmo nos dias que não amanhecem
mesmo quando a dor me alimenta
Sigo como o visgo da suma afronta
que se agrega a novas rimas
a finda, a esquiva e a desmonta
Parasita da vida
infortúnio afortunado
acrescenta-me
atrozmente
atormenta-me
indecente
Ciclovias paralelas
velozmente desconexas
onde caibo
nas janelas?
Transeuntes de portelas
picardia de donzelas
onde encaixo
minhas pernas
Entre outros desencontros...
terça-feira, julho 13, 2010
Pela boca
Você é o que você come
e nem tudo que se come é pela boca
ou desce pelo esôfago
nem sacia só a fome
Algumas coisas não vem em pedaços
São transeuntes aéreos
Uns são pelas mãos, outros por abraços
Vem pela luz, pelo gracejo
pelos pés na areia,
o braço da viola
Vem pelo céu, distante lampejo
Das montanhas o urro
Do vento o assopro
Das cores do tempo
Dos cortes à casca
a nudez e os panos
Da morte ao nascimento
e nem tudo que se come é pela boca
ou desce pelo esôfago
nem sacia só a fome
Algumas coisas não vem em pedaços
São transeuntes aéreos
Uns são pelas mãos, outros por abraços
Vem pela luz, pelo gracejo
pelos pés na areia,
o braço da viola
Vem pelo céu, distante lampejo
Das montanhas o urro
Do vento o assopro
Das cores do tempo
Dos cortes à casca
a nudez e os panos
Da morte ao nascimento
segunda-feira, julho 12, 2010
PARA [-BEIJOS] & [-QUEDAS]
Qualquer tarde de domingo parece ir vagueando pela janela lenta. Para despertar de tais períodos ociosamente diurnos faz-se todo aquele ritual de esperar pelo dia seguinte: segunda-feira. Mas até mesmo segundas são dias preciosamente inesperados...
Quando se olha de uma janela ao entardecer nem imaginamos o quanto as idéias estão a se dissipar em meio a tantos turnos e horários e planos. Se eu soubesse o quanto me espera num dia qualquer, talvez não vivesse e visse tantas imediações da vida. Mas foi quando a vi em meio a tantos distúrbios existenciais que percebi o quanto podemos evitar algo por simples incredulidade. Não me julguei por isso como costumo fazer na maior parte de qualquer dia da semana. Apenas a observei passar como se seu despenteio estivesse sob a minha janela. E mais uma vez esperava a segunda chegar.
A respeito de mim ela talvez soubesse mais do que ela mesma imaginava, e de repente já estávamos onde nossas peles encontravam o menor caminho de se encontrarem. Sim, achei muito confusa a brusquidão desse encontro de energias moleculares, mas também pensava ser mais uma dessas coisas que a vida cisma em derreter. E quando derrete não há temperatura que recupere o estado físico de antes. Como as coisas são torpes! Inventamos fórmulas para a vida como se ela realmente tivesse um padrão. Mas a verdade é que nunca se sabe como são as terças-feiras daquele senhor de idade que atravessa a rua com dificuldade de enxergar o outro lado. Eu apenas olhei para Ela e sorri. E senti como meu sorriso havia sido entendido.
− Olá! – ela me disse um dia depois.
E novamente nossos sorrisos se compreendiam. Engraçada essa história de conhecer alguém. Existe realmente algo conspirando em torno de todos os acontecimentos de nossas vidas? Já mudei de opinião sobre isso inúmeras vezes, mas aos poucos vou entendendo que somos nós mesmos que nos dispomos ao que vivemos. Sempre há alguma razão ou emoção envolvida, e que graça teria se não houvesse?! Talvez seja só um transtorno obsessivo da minha mente procurando sempre encaixar a vida numa linha contínua. Mania de qualquer ser humano, na verdade, de medir tudo que não seja controlável. As horas, os dias, o peso, volume, altura, profundidade. Eita mania besta!
─ Sabe aquelas estrelas ali? – ela me perguntou uma noite dessas. - ...devem ser uma constelação que não conhecemos. Digo não que só nós não a conheçamos, mas que ninguém no mundo a tenha batizado. Seria pretensão minha batizá-las da forma que eu quizer?
─ E por que não faz isso? – eu sempre faço essa pergunta.
─ Talvez não haja motivos para isso.
─ Os motivos partem de nós mesmos.
─ Constelação de mim!
Está aí, uma constelação inesquecível...
Quando se olha de uma janela ao entardecer nem imaginamos o quanto as idéias estão a se dissipar em meio a tantos turnos e horários e planos. Se eu soubesse o quanto me espera num dia qualquer, talvez não vivesse e visse tantas imediações da vida. Mas foi quando a vi em meio a tantos distúrbios existenciais que percebi o quanto podemos evitar algo por simples incredulidade. Não me julguei por isso como costumo fazer na maior parte de qualquer dia da semana. Apenas a observei passar como se seu despenteio estivesse sob a minha janela. E mais uma vez esperava a segunda chegar.
A respeito de mim ela talvez soubesse mais do que ela mesma imaginava, e de repente já estávamos onde nossas peles encontravam o menor caminho de se encontrarem. Sim, achei muito confusa a brusquidão desse encontro de energias moleculares, mas também pensava ser mais uma dessas coisas que a vida cisma em derreter. E quando derrete não há temperatura que recupere o estado físico de antes. Como as coisas são torpes! Inventamos fórmulas para a vida como se ela realmente tivesse um padrão. Mas a verdade é que nunca se sabe como são as terças-feiras daquele senhor de idade que atravessa a rua com dificuldade de enxergar o outro lado. Eu apenas olhei para Ela e sorri. E senti como meu sorriso havia sido entendido.
− Olá! – ela me disse um dia depois.
E novamente nossos sorrisos se compreendiam. Engraçada essa história de conhecer alguém. Existe realmente algo conspirando em torno de todos os acontecimentos de nossas vidas? Já mudei de opinião sobre isso inúmeras vezes, mas aos poucos vou entendendo que somos nós mesmos que nos dispomos ao que vivemos. Sempre há alguma razão ou emoção envolvida, e que graça teria se não houvesse?! Talvez seja só um transtorno obsessivo da minha mente procurando sempre encaixar a vida numa linha contínua. Mania de qualquer ser humano, na verdade, de medir tudo que não seja controlável. As horas, os dias, o peso, volume, altura, profundidade. Eita mania besta!
─ Sabe aquelas estrelas ali? – ela me perguntou uma noite dessas. - ...devem ser uma constelação que não conhecemos. Digo não que só nós não a conheçamos, mas que ninguém no mundo a tenha batizado. Seria pretensão minha batizá-las da forma que eu quizer?
─ E por que não faz isso? – eu sempre faço essa pergunta.
─ Talvez não haja motivos para isso.
─ Os motivos partem de nós mesmos.
─ Constelação de mim!
Está aí, uma constelação inesquecível...
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