domingo, fevereiro 20, 2011

estraños

a gente se encontra, se desconhece
se ama e depois se esquece
que amar é pra sempre
e viver pedindo que um dia aconteça
pode ter uma consequência ruim
até o dia em que você reconheça

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Sagrado



Oh, suprema criação, me curvo diante de ti
Guie-me entre as rochas, soberano inabalável devir
Entre os vales escuros do medo e da enferma solidão
Ilumina meus olhos com coragem e leva-me forte e intrépido
Onde às margens de sua glória eu repouse em sua mão
Saudoso sob o Sol e a Lua, da natureza me faz servo
Dá-me discernimento e sabedoria em pró da verdade e da justiça
Sonda-me em seu propósito até o dia da minha partida
Abençoa minha boca com o dom do seu divino verbo
Com sua música possa eu acalmar meus queridos irmãos
Com sua paz e sua harmonia dignifica o meu coração
Ensina-me a bondade, que minhas mãos carreguem a partilha
Para proteger os fracos da mentira e da dor
Cubra-me de serenidade, faça-me instrumento altruísta
Afasta os inimigos com a grandeza do seu amor

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

contrapeso


Carrego complacente o distintivo inglório de achar estar sem modificar,
de não me ater de prazerosos hábitos em pról do que julgo ideal.
Falo com a voz de todos os inclassificáveis irreconhecidos por si.
Sou a busca a contragosto da contracultura que reformula a moral,
mas sei que o pouco que mudo do modo que uso não pode ser roubado.
Não tenho sequer um rosto dotado da atroz e imagética convinção.
Me assemelho à vontade de bondade impressa em cada ato.
Não confio na lei que se diz justa perante a própria contradição.
Sou, no entando, uma verdade calada que se julga privada da própria criação.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

por mim


Gosto da poesia encravada
a que dói pra sair
depois entra confusa
nas orelhas soturnas
caladas a noite
cheia de amor entalado
pronto pra eclodir

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Pulsátil

Ele se adapta volátil
feito líquido se aloca
em qualquer espaço
mas entre nuvens sufoca
portátil feito célula
come dias e cospe horas
aferida impressão
cabe insólito retrátil
na palma da mão
cansado se afaga
na própria imersão
desmembra e se cala
desvia da ótica e rala
figura da visão aquátil
gradativo escurece
sonho feito de canções
nobre líquido suspeito
inodoros embriões
na varanda do seu leito
suaviza obstruções
desacorda desavisos
fita a breve sombra
alojada na retina
rotinada em temperança
imbuída em demasia
em disciplinada inconstância
pulsátil

terça-feira, fevereiro 01, 2011

empoeirado de lembranças

Ontem achei você
Dentro de uma caixa de velharias
Mesmo depois de tanto tempo sem me ver
Fiquei pensando se talvez me querias
Meu dia como um filme antigo se foi
Cheio de letras, cafés e memórias
Quis urgente te encontrar, amor
Dessa vez num momento real a dois
...
Vivi tanto tempo sem saber enxergar
Que meus dias só viraram histórias vazias
Mas não sei se amanhã ainda vou te amar
Ou se você vai lembrar do que antes valia
...
Hoje me perdi de você
Já nem lembro seu telefone ou endereço
Não sei se o tempo me ajuda a voltar
Se me ensina de uma vez e te esqueço
Dizem que o amor verdadeiro é para sempre
Sinto muito se o nosso for para nunca
Talvez comigo seja um pouco diferente
Por isso nosso enlace por ora trunca
...
O destino me pede para ter paciência
Talvez o dia de nosso reencontro demore
O tempo é o cúmplice dessas evidências
Impediu que erosão e esquecimento as devore

quarta-feira, janeiro 19, 2011

trinco

a tonta da porta não abre nem fecha
cantei-a o desfeche da próxima volta
da chave emperrada no trinco oxidado
há 1800 graus girou junto meu nexo
soldado da pátria armada de hipocrisia
marchando borracho na cossenóide via
via de longe a porta hiperbárica
cheia de códigos secretos e votos
derretendo na imagem rodopiante
com o dilema da opção de chegar ou não
a atravessar a senhora com foice na mão
depois morar na casa da própria entropia
sem jamais poder voltar pelo mesmo lugar
pois ela transforma o que já foi
em o que nunca mais será
o arco do triunfo pode até não triunfar
se quem faz a travessia preparado não está
pode perder-se quem passa por lá
pois a punição para pensar em regressar
é permanecer perdido no caminho
avistando distante e sozinho
a porta a sempre se aproximar
sem nunca sua maçaneta tocar

domingo, janeiro 16, 2011

Quem eu sou não consigo dizer sem me perguntar.

A cada passo que dou
Vejo uma imagem diferente
Mesmo que da mesma paisagem
Disponho-me de forma convergente
Sou apenas peça apoio
Do alívio de sair do bar
Sem dever a alma ao diabo
Sem viver enfermo enfisêmico
Ou um abutre esquêmico
Pois,
Nutrissomos
Aglutinamos polos
Desorganissomos
Invernosos verônicos
Alvéolos normândicos
Áfrico raiz
Meu prezado
Fraterno
Protegiz

sexta-feira, dezembro 31, 2010

feliz novo ano novo

parece que a felicidade vem acompanhada sempre de uma novidade. por isso o ano novo parece tão feliz. depois fica velho e acaba ansiando pelo novo ano novo, que sempre vem desde que começaram a contar os anos. pra alguns ele vem com cara de diversão. pra outros trabalho. pra outros estudo. pra outros, moribundos, tudo igual. mas pra mim não existe ano novo. nós é que renovamos nossos planos e objetivos. necessitamos de uma data para fechar o ciclo. a roda do tempo. e refazer, reconstruir, reformular, reformar. assim como a superfície que sofre erosão e se modifica, caminhamos para o novo afim de torná-lo velho. de novo e de novo. mas que seja feliz todo recomeço buscado. que seja abençoada toda a mutação em pról da paz, do amor e da harmonia entre os seres que habitam nosso querido novo planeta. que seja amparada toda vontade de fazer o bem. e que a felicidade reine nos novos dias de glória e graça.
um feliz e próspero ano novo a todos!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

chuva

Eu sento na calçada esperando a chuva passar. Junto com o lixo urbano e o sono do transeunte que se encosta e dorme debaixo da marquise. Alguns devaneios me rondam. Será o dilúvio? Um cigarro pra aliviar a ansiedade. Parece que não vai passar. Mas sei que no livro sagrado dos cristãos está escrito que em água não acaba, não. Não o mundo inteiro. Mas acaba um tanto de coisa. Um tanto de casas, um tanto de famílias. Graças a alguma coisa que apelidei de sorte estou aqui; o mendigo, a chuva, eu e mais dois amigos, o cigarro e o isqueiro. Não tenho pressa. Me demoro a pensar na chuva. Vem limpar, renovar nossas vidas. Fazer nascer um novo ato, um novo momento. Assim gosto de imaginar: o dilúvio dos sentimentos humanos. Que lave a mesquinhez, o orgulho, a ganância, a soberba, a covardia, o ódio. E nos deixe a sutileza de amar a natureza.

terça-feira, dezembro 28, 2010

conheça-te

por que pensar na solidão se não estou a sós comigo? mesmo estando isolado, estou sempre comigo mesmo e comigo outro. migo mesmo sou eu quando não sou o outro, migo outro sou eu quando não sou o mesmo. mas todo outro diferencia de outro mesmo, e todo mesmo diferencia de mesmo mesmo. o que sou então? o mesmo de sempre ou o outro de nunca? O que sempre pretendo ser como sempre sou ou o que sempre sou pretendendo ser como sempre? como sentir solidão se o pouco de mim que conhece a mim mesmo pode não ser o que penso ser... só mesmo se a solidão fosse a própria diferença entre os vários de mim que, quando não se reconhecem a si próprios, me transformam em algo que não sou. então sim, agora posso ver também como a solidão de cada um difere da de todos. cada um vivendo a própria solidão e ao mesmo tempo a companhia de todos os outros. ainda acho que a solidão devia ter outro nome. devia se chamar isolidão, o isolamento de mim mesmo feito por mim mesmo, tornando todos os possíveis eus diferentes entre si. causando uma grande discordância entre todas as minhas formas de existir e enfim me tornando algo que não sou, ou ainda, algo que queiram que eu seja. quanta solidão existe, então! só de pensar, todos sendo e exigindo que todos sejam a mesma solidão conjunta... sem perceber que é a diferença o próprio elo, o que nos torna complemento e completo. talvez a solidão seja por fim um momento de esquecimento de mim, por acreditar que devo ser o que diversos poderes manipuladores querem que eu seja. solidão é perceber que muitos já não são o que são para servirem aos xerifes da sociedade e já não são capazes de reconhecer a própria solidão. a própria vontade de ser a si mesmo fica esquecida. conhecer-se e ser livre é o mesmo que ter a plenitude de nunca sentir solidão, de reconhecer no aprendizado da diferença a si mesmo.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

genealogia

meus espíritos ancestrais
uma força da natureza
psíquica sintonia
unidade e entendimento
partilha e comunhão
paz e alegria
afeto e afeição
família, dela sou
feto, criação.
se me criam com amor,
amor serei,
se me esquecem
não esqueçam, sou você
família, amor
alegria.
Sou vocês,
com vocês, em vocês
a minha impressão,
a mesma vezes três.

alma
corpo
coração

DNA
divindades
crenças

opções
hábitos
obstruções

mas em tudo
o mesmo fado
a mesma invenção
macro-cósmica

do que precisamos?
e se partilhássemos
todos os dias...
é uma sugestão
que me fez
a história da vida
que só é contada
uma vez por ano

quando não somos
o que acreditamos
quando não sabemos
em que acreditar
quando acreditamos
demais no que supomos saber
estamos deixando de ser
O que somos juntos,
família,
partilha,
amor,
alegria.

terça-feira, dezembro 21, 2010

dias de luz (deumaluz...)

Quero ir em equilíbrio
ficar sem esperar
pegar carona no ar
encontrar o amigo no acaso
indo pro mesmo desígnio
com fruta no pé
mágica nas mãos
areia na madrugada
sorriso pregado
dedilhando segredos
pensamentos falados
inversonogomia
no alto da torre
a lua entre os dedos
coco no chão
e pernas no mar
boas amizades tenho aqui
a viola a cantar
saudoso verão
vem me presentear
com o caloroso sorrir
do poema a jorrar
quero ficar
nesse papo pra sempre
sem me preocupar
pois horas não existem
pra quem tem tempo de amar
eu vou correndo
me jogar nesse abraço
num salto no espaço
entre as nimbus a desenhar
minha micro-imaginação
mergulhada na morada
plasmada na própria criação

sexta-feira, dezembro 17, 2010

lado esquerdo

Do que vale a pena
Alisar o que nasceu enrolado
Deixa encaracolar,
Como caracóis
Vão a se enrolar
Parece que vai sonar
O centro do suor
A casca, casaca, casa, asca,
Entre os bytes e gens
Conhecimento tecnológico
Planejado, aperfeiçoado
Melhoramentos em todos os lados
A décima que é debaixo
De cima do cacho
Qu’inda não despencou
De cima do baixo
Desdobramento interioexterior
Meu senhor é a vida!
A natureza, a força,
A certeza de nada
E tudo que é o vago
Negro iluminado
Indecifrado lume que vaga
Gume do meu passo
Afiado
Protegido
Domesticável porém
Com carinho e amor
Cumplicidade e respeito
Vou junto com você
Se vier comigo
Mas se quiser vamos
Pra algum lugar
Onde possamos sempre estar
Algum bom lugar
Onde pousemos a repousar
Nossos abraços e dores
Que querem ejacular
Feito lava de vulcão
Feito espuma
Menstruação
Coisas inesgotáveis
De movimento e criação
Novas fases, novos ares
Novas compreensões
Algumas até contrárias
Que nos faz pensar será
Essa nuvem programada a passar
Esse sonho esquecido a guiar
Minha essência querida
Que me deras mar
Sou sua sólida averbação somática
Suo sua sórdida vontade de tornar-me terra
Ar, como gostaria de voltar
A ser criança a nadar
Em lugares sem esgoto
Solto feito fumo bom
Feito garoto
Nu e pronto
Pra viver em paz
Pra viver em amor
Pra dizer, por favor,
Vivam a paz!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

qq bobagem

o mesmo que ontem não foi hoje
vc pensa que é certo mas muda
vc tem que se distrair de vc
ahaha nem pode se aproveitar
vai indo feito desapegos forçados
feito desassossego alado
que isso?
vai só, dizendo tanta coisa
q talvez convença vc mesmo
ahaha mas eu nao to nem aqui
é só qq pensamento a flutuar
tá td mundo qrendo chegar primeiro
sem saber o quanto é maneiro
viver o mundo no seu ritmo
sou louco para muitos
mas pros poucos que me amam
sou o próprio amor