terça-feira, setembro 08, 2009

Essa ânsia

Coça a testa, balanga a perna,
desdobra o joelho, estala os dedos.
Dores nas costas, inchaço no lombo,
ouvido entupido, o que é isso meu Deus?

Parece estresse, unha encravada,
caspa danada, micose mal curada.
Disseram ansiedade, eu disse que nada!

Mas então o que será
que me morde as bochechas?
Onde estão mesmo
as minhas verdades?
Quem vai me emprestar
um mundo distante?
Que mãos serão essas
nas suas madeichas?

Ah, que mundo maluco,
me faz girar junto!
Mas quero ir para longe,
dessa história confusa.
Que me afastam da paz e
me estremecem o amor.
Me causa nervosa alergia
e me dobra em três partes de dor.

É então meu etílico corpo
que reage ao que chamo de adeus.
Tentando aproveitar o que não consertei...
Ou até minha claustrofóbica alma
futucando o que chamo de meu.
Tentando escapar do que me tornei...

ToN

terça-feira, setembro 01, 2009

O gosto de gostar

O que sobra é o amargor
do final do gosto de amor
que só era gosto de gostar
sem saber que amar
também se trata de lealdade
dizer o que poderia ferir
por simples sinceridade
assim o amor vinga!
não por omissões e mentiras...

Me perdeu quando não disse,
me fez esperar por horas eternas.
E fiquei a pintar as arestas
de um utópico gostar indizível
que era tudo
menos gostar de amar.
Pois me feris, não a derme,
a face de que sou feito.
Faço agora o oposto de ti,
mas se te ferir, que fira o peito
Doloso da culpa sem arrependimento.

Só passa tudo aquilo que não quer ficar,
só morre o que não quer para si a vida...
És a fonte do medo de saber
o cruel destino das coisas insossas
...murcham como as flores!

domingo, agosto 23, 2009

Vento

Estava um dia frio. Você esfregava suas mãos nas minhas tentando encontrar alguma temperatura. O vento estava forte, vinha do norte, mas nunca fora tão incoveniente como agora. Porém foi ele que nos expulsou dali.
- Não aguento mais esse frio! - você disse.
- Nem eu essa distância... - disse eu entre os dentes.
- O quê?
- Nem eu essa ventania!
- Preciso buscar uma blusa! Vamos?
- Te acompanho!
Andamos abraçados, mas ainda não nos aqueciamos. Conversamos sobre nada, apenas saiam palavras escondendo outras. Não diriamos nada.
- Chegamos! Preciso de um cigarro! ... era a denuncia de que não estavamos ali pela blusa.
- Tenho o último.
Fumamos juntos e calados até o fim do último trago. Agora o tempo passava mais rápido. A vontade era maior. O vento estava do lado de fora. Roubei-te um beijo.
- Não deveria, né?!
Fui ao banheiro. Olhei no espelho e não vi nada, lavei o rosto;
Agora estava quente.
- Acho que vou embora.
- Liga a tv para não ficarmos mudos.
- Sabe que não vou resistir a você.
- Sei!
Ainda mais quente.
- Sabe por que viemos?
- Estava frio!
- Não, estava distante!

Pescoços.
Lábios.
Linguas.
Nuca.
...mais quente.
Sapatos.
Meias
Calças.
Blusas.
...ferviamos.
Nos sopramos, mordemos, bebemos, beijamos, amamos, até o torpor!
Foi só uma recaída...

Nosso segredo, nosso amor protegido!
Quando não será apenas sonho?

quarta-feira, agosto 19, 2009

Calo

Ora tento ser eu
desato os nós
no tato de dois
amando somos um
Ora tento ser você
Desminto os atos,
calo os fatos...
...e de novo estou só.

[ToN]

domingo, agosto 09, 2009

Butter fly

Me encontrei, em meu próprio padoxal continente,
indagando sobre a existência desses seres chamados borboletas...
Sempre me pareceram tão leves e suscetíveis a desencontros.
Voam por aí com asas psicodélicas e delicadas, sem imaginar que voar é surpreendemente mágico para seres aquáticos como eu.
Alcançam a densidade dos ventos eternos dessa quase presente primavera e praticamente não vivem por sequer uma estação, talvez por sempre se embebedarem dos fluidos florais. Descansam sem entender o motivo dessa falsa busca pelo belo.
Intrínsecamente é sua própria metarmofose camuflante. Esmiuçando toda a grandiosa natureza, torna o fenômeno da vida o mais belo dos "admiráveis seres". Uma existência despretenciosa que distribui elos vitais ao mundo dos nossos subjulgamentos, até, exaustas de sua inflamação espiritual, voltarem a nutrir o plexo terrestre.
Tão fascinantes! Tão coloridas e hipnotizantes!
Dessas crisálidas ainda surgirão expledorosos contornos do mundo.
E meus olhos hão de acompanhá-los...

segunda-feira, agosto 03, 2009

Amor quase sóbrio

Por algum tempo acreditei que existia alguma dose alcoólica equivalente ao adormecer da sua ausência. Passei horas a cantar a minha alva querência de você, mas me tornei rouco antes de terminar a melodia que me traduzia...
Tantas almas solitárias se confundem diante de mim. Não sabem sequer se sou humano de carne e osso, no entanto não sou mesmo um poço de humanidade. Porém me considero humano o suficiente para não desconsiderar qualquer ser, humano ou não.
Sou também nesse momento alma solitária, pois minha intensa realidade nada mais é que abstração. Tantas teorias em pról do vão acaso de viver, sem conhecer a extensa capacidade de ser surpreendido pelo despropósito da vida. Faço então das feridas um calo resistente ao inevitável, tentando confiar nos meus sentidos confusos e me concentrar nas coisas que amo.
As coisas que se vão sem voltar são tão presentes quanto as coisas que jamais irão. A carne se vai. A dor. O rancor. Mas não o amor.O que sou agora é uma fração consequente do que sempre serei. Mas não serei só, pois minha missão é despertar o que se tem adormecido: o amor!

quarta-feira, julho 29, 2009

Espasmos da alma

Em todos os passos andados
existem palavras cansadas
cheias de talvezes e premissas.
Passeatas aos deuses
do amor e dos silogismos,
a fim de eternizar os paradoxos
ou de destruir o passado moribundo.
Viva a inquietude da alma,
a ressaca do espírito,
a conquista do hoje pelo ontem,
que se foi
sem saber se deve
que se vai
sem dizer adeus!
É o que torna algoz
os desejos infiltrados
em cada sonho.
É o que torna lívida
a metamorfoze do mundo.
Irônico!?
Para quê queremos um mundo?

sexta-feira, julho 10, 2009

Amar o mar

Diante dele sou uma gota! Sou orvalho, maresia, chuvisco fraco de manhã... mas acabo sempre devolta aos lençóis de minha origem: Oh grande mar! És mais que mar, és oceano. És o que sou sem ter pele! E essa pele é a saudade.

quarta-feira, julho 08, 2009

Musicando as palavras

Falta a receita certa.
Falta a porta aberta.

Os vivos estão mortos de cansaço.
Os mortos estão fartos de cansar.
E só alcança a plenitude da vontade
As poucas crianças que acreditam na "hibridade".

A loucura é a inverdade do real.
A miséria da alma pode ser natural.

Não é real
Não é irreal
Não é real
Não é irreal

[ToN]

quarta-feira, junho 10, 2009


A quanto tempo não prego os olhos, tentando não perder todas as coisas que vão passando?! Me esforço para parecer competente ou no mínimo diferente e importante no meio de tantas pessoas que se consideram acima da lei do bom senso. Parece que uma pandemia invadiu todos cantos do planeta, semeando a doença do ego exacerbado, onde tudo que reluz pertence aos "bons" e tudo que é fosco fica com a ralé.
Eu, andando por ai com os olhos lacrimejando de sono, confundo as pessoas com minhas lágrimas involuntárias. Simplesmente ardem os olhos, seus falastrões! Para onde olho vem em minha direção uma ventania de poeira impiedosa. Quase cego ainda não desisto de propor ao mundo os meus pensamentos de insatisfação com toda essa sugeira nas ruas.
O que nos faz acreditar que precisamos de um lugar para alcançar? O que dá o poder de julgamento? Eu gostaria de ser uma bola de luz a vagar pelo universo, sem me preocupar com minhas roupas de segunda, nem com meus dentes mal escovados, nem com os cabelos despenteados, ou com a hora do almoço. Não queria ter que explicar nada a ninguém, nem ouvir o que gostariam que eu fizesse. Isso é rebeldia? Que seja! Cansei dessas caras de quadrado que me rodeiam, dessa incompreensão que nos assola e da vida que as pessoas levam. Vai ver é a maior maluquice acreditar que isso tudo pode mudar, mas mesmo cego de sono sinto essa esperança no ser verdadeiro, o filho da Terra. Aquele que sabe quem são seus irmãos.
Tudo vai ser mais simples, mais acessível e compartilhado. Que tolo sou eu!
Sei que a qualquer momento tudo vai explodir em milhões de partículas. Mas que sentido teria? Vai demorar ainda a chegar! Para onde eu estava indo mesmo? Acho que fiquei cego de vez. Ou então acabei dormindo sem perceber em algum canto dessa cidade empoeirada. Será isso então um sonho? Pois não vejo a hora de acordar para ver o que está acontecendo no mundo real. Mas será que alguém sabe?
Alguém aí pode me dizer?
Aonde vão seus filhos?
O que vocês os ensinam?
Como querem o seu bife?
Existem contas a serem pagas?
A quem você paga?
Quem fica na crista da onda?
São perguntas que me atormentam mais do que as do tipo: "qual o meu destino?", "deus existe?"! No momento tenho percebido que perguntas muito simples não me são respondidas. Noto também que não somente eu as tenho pensado desesperadamente. Está todo mundo mudo e eu cego. Não podem me falar o caminho, nem apontá-lo, nem me conduzir por ele, pois estão muito distantes. Por isso temos pesadelos a noite. Pobres de nós!


[ToN]

sexta-feira, abril 24, 2009

...só pensamentos...
Resolvi ontem fazer de conta que não fazia de conta, de repente todas as pessoas mudaram. Minha visão, minha percepção, claro afetados por uma boa dose de vodca, se confundiram entre as pessoas, todas elas ansiosas por vida. Numa grande, confusa e emergencial fuga do mundo, percebi o quanto todas as pessoas, incluindo eu, se manifestam na forma em que desejam o mundo. Mas também nos manifestamos na perigosa forma das coisas que não toleramos. Somos mesquinhos e infelizes diante os disturbios da nossa paz postiça.
Após muitos e muitos debates comigo e com as pessoas descobri que esse grande caldeirão de alteridade se encerrará da mesma forma que sempre se encerrou. A morte do corpo, das aparências, dos mecanismos, das leis da física, das interpretações artísticas. Todas essas coisas surgiram e evoluiram em nosso meio, e as tratamos como nossas criações, nossas idéias, nossas concepções. Tudo tão falho. Tudo tão imperfeito. E por serem imperfeitas é que precisam do complementar, do agrupamento de sentidos, para se tornarem mais universais. Fico a imaginar como tudo seria se todas as coisas fossem completas, únicas, perfeitas. Talvez um dia eu descubra, talvez quando eu não precisar fazer de conta que faço de conta.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Aqui e ali vejo o mundo acontecer
Repentino
Uma mistura de tudo com nada
Uma teimosa ida e vinda desastrada
Repentina
Sem um ponto de chegada
Uma rotação infinita
Rir, chorar, amar, não amar
sofrer, por quê?
Saber? O quê?
Por quem?
Por mim? Por eles? Por nós?
Quantos séculos me trazem aqui?
Devo então admititr o vazio do mundo?
Ou cantar até minhas cordas vocais se arrebentarem diante a loucura?
Aqui, ali, aqui?
Onde devo estar? Ou não devo?
É só mais dia de tempestuosos pensamentos...
Esperar?
Então canto!
Sem saber o que me espera...

quarta-feira, abril 16, 2008

Em dias como o cinza das nuvens de temporal, como se anotações quisquer pudessem me salvar. Apenas aliviam... ou avisam o mundo que preciso de luz para sobreviver...
Alguém ai?

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Homem bicho, bicho homem


Quem tem medo que acabe o bicho ser humano?
Se o bicho que é bicho ja não pode ser bicho em paz
Sai estampado, mera ilustraçao, nas capas de livros e jornais
Quem tem medo que acabe?
E tem gente que quer salvar o mundo
Sem nem pensar no mendigo moribundo
Que aos olhos de pena e pavor
São ainda bicho homem que se mata pela dor
Quem tem que salvar quem?
Se o bicho homem acha que ele é pouco
Diante da grandeza que {ele}tem
Da verdade que pode enxergar
E do quanto a vida pode ser
Simplesmente plena
Sem entravas, nem barreiras
Ser vida enquanto vida
Vida da forma que conhecemos
E da que nao conhecemos ainda
Você é bicho, homem!

sábado, janeiro 19, 2008


De tempos em tempos a vida costuma dizer o quanto não podemos controla-la. Com alguns ela é gentil, mas com outros ela é ironicamente avassaladora. Imprevisivel!!! Essa é a palavra! Esqueçamos todos os mediuns, videntes, umbandas, macumbeiros, profetas e astrologos. Um dia nada mais é que um dia para o tempo. O tempo não se adequa as necessidades dessa raça moribunda que é o ser humano, ele vai atropelando qualquer vestigio de insegurança, devora com seus minutos a indecisão dos fracos e os mastiga com seus dentes infectados por aflição.
Mesmo sabendo disso tudo insistimos em vacilar. Claro, somos fracos diante a imensidão do tempo. É como subir no parapeito de um edificio de 700 andares, olhar para baixo e para cima. Ja não da para saber onde fica você mesmo. E sobre a queda... bom, deixa para la.
Depois das estrelas a chuva. O céu vermelho, os passos largos, gota após gota. Uma sucessão de sucessões, a vida. Na manha seguinte aquela sensação de oco. Uma tontura nas paredes, gosto de pesadelo na boca. Saí em direção. Qual direção ainda não sabia. Era sábado de manhã, uma manhã apenas. Seu nome rotacionava como um planeta em volta da minha cabeça e como um câncer dilacerava qualquer pensamento. Tropecei então numa loja onde uma amiga trabalhava, Silvia o seu nome. Era uma loja simples,algumas cadeiras para os clientes, um balcão de madeira, as roupas penduradas pelos cantos. Entrei tentando com os olhos encontrar alguma conversa, mas a loja estava vazia. Achei preços que me deixaram a sensação de não saber medir o valor das coisas. Casuais absurdos da vida. Mas a loja continuava vazia. O caixa, o provador de roupas, o condicionador de ar ligado. ''Talvez ela esteja no banheiro,'' Sentei-me numa das cadeiras, e continuei a flutuar o olhar pela loja, observando qualquer detalhe inútil. Reparei uma comigo-ninguém-pode em um dos cantos. Ficava perto da porta de vidro, talvez na intensão de deixa-la receber o reflexo do sol no asfalto. No chão a sua volta havia algumas gotas de algum líquido parecido com seiva. ''Deve ter chorado a noite toda, coitada. E agora fica aqui nessa porta tomando um sol petrificado. Deve nem saber que existe um lugar chamado floresta, onde as plantas vivem em harmonia.'' Ri de mim mesmo. Rosolvi observar o trânsito. Quase que imediatamente fixei o olhar numa kombi da prefeitura. ''SERVIÇO SOCIAL DE...'' a última palavra faltava. O trânsito a parou bem em frente a loja, e dentro da kombi branca pude observar alguns individuos meio agitados. Uma garota, talvez 18 anos, cabelos castanhos, óculos rayban e chapeu de crochê, grudou seu olhar no meu. Tentei ler seus lábios... ''??nheço ele''... apontando em minha direção. Olhei para traz como se de alguma forma eu pudesse ser invisivel naquele momento e ela pudesse ver através de mim. Quando olhei de volta o trânsito ja havia afrouxado e a kombi partia em uma direção qualquer. Mas ela estava grudada no vidro, a ponta do nariz encostada na janela, agora olhava por cima dos óculos. ''Tchau'', eu pensei. Nem sinal de Silvia. Apontei os dedões do pé para a saida e continuei minha caminhada insólita. ''Como pode alguém trabalhar numa loja e não estar nela a maior parte do expediente?''
Caminhei durante vários cigarros. Quase um ''Forest Gump'', menos saldável e entusiasmado porém. Até me encontrar diante do portão Dela. Toquei a campainha e Ela me atendeu no interfone.
-Quem é? - sua voz estava irritada
-Jude!? Sou eu! - me faltou entusiasmo para me anunciar.
- Não posso falar agora.
- Está tudo bem?
-Sim, sim. Depois explico, ta?
-Tá!
...silêncio
Naquele instante não imaginei o quanto meu dia seria longo...