quarta-feira, dezembro 29, 2010
chuva
Eu sento na calçada esperando a chuva passar. Junto com o lixo urbano e o sono do transeunte que se encosta e dorme debaixo da marquise. Alguns devaneios me rondam. Será o dilúvio? Um cigarro pra aliviar a ansiedade. Parece que não vai passar. Mas sei que no livro sagrado dos cristãos está escrito que em água não acaba, não. Não o mundo inteiro. Mas acaba um tanto de coisa. Um tanto de casas, um tanto de famílias. Graças a alguma coisa que apelidei de sorte estou aqui; o mendigo, a chuva, eu e mais dois amigos, o cigarro e o isqueiro. Não tenho pressa. Me demoro a pensar na chuva. Vem limpar, renovar nossas vidas. Fazer nascer um novo ato, um novo momento. Assim gosto de imaginar: o dilúvio dos sentimentos humanos. Que lave a mesquinhez, o orgulho, a ganância, a soberba, a covardia, o ódio. E nos deixe a sutileza de amar a natureza.
terça-feira, dezembro 28, 2010
conheça-te
por que pensar na solidão se não estou a sós comigo? mesmo estando isolado, estou sempre comigo mesmo e comigo outro. migo mesmo sou eu quando não sou o outro, migo outro sou eu quando não sou o mesmo. mas todo outro diferencia de outro mesmo, e todo mesmo diferencia de mesmo mesmo. o que sou então? o mesmo de sempre ou o outro de nunca? O que sempre pretendo ser como sempre sou ou o que sempre sou pretendendo ser como sempre? como sentir solidão se o pouco de mim que conhece a mim mesmo pode não ser o que penso ser... só mesmo se a solidão fosse a própria diferença entre os vários de mim que, quando não se reconhecem a si próprios, me transformam em algo que não sou. então sim, agora posso ver também como a solidão de cada um difere da de todos. cada um vivendo a própria solidão e ao mesmo tempo a companhia de todos os outros. ainda acho que a solidão devia ter outro nome. devia se chamar isolidão, o isolamento de mim mesmo feito por mim mesmo, tornando todos os possíveis eus diferentes entre si. causando uma grande discordância entre todas as minhas formas de existir e enfim me tornando algo que não sou, ou ainda, algo que queiram que eu seja. quanta solidão existe, então! só de pensar, todos sendo e exigindo que todos sejam a mesma solidão conjunta... sem perceber que é a diferença o próprio elo, o que nos torna complemento e completo. talvez a solidão seja por fim um momento de esquecimento de mim, por acreditar que devo ser o que diversos poderes manipuladores querem que eu seja. solidão é perceber que muitos já não são o que são para servirem aos xerifes da sociedade e já não são capazes de reconhecer a própria solidão. a própria vontade de ser a si mesmo fica esquecida. conhecer-se e ser livre é o mesmo que ter a plenitude de nunca sentir solidão, de reconhecer no aprendizado da diferença a si mesmo.
segunda-feira, dezembro 27, 2010
genealogia
meus espíritos ancestrais
uma força da natureza
psíquica sintonia
unidade e entendimento
partilha e comunhão
paz e alegria
afeto e afeição
família, dela sou
feto, criação.
se me criam com amor,
amor serei,
se me esquecem
não esqueçam, sou você
família, amor
alegria.
Sou vocês,
com vocês, em vocês
a minha impressão,
a mesma vezes três.
alma
corpo
coração
DNA
divindades
crenças
opções
hábitos
obstruções
mas em tudo
o mesmo fado
a mesma invenção
macro-cósmica
do que precisamos?
e se partilhássemos
todos os dias...
é uma sugestão
que me fez
a história da vida
que só é contada
uma vez por ano
quando não somos
o que acreditamos
quando não sabemos
em que acreditar
quando acreditamos
demais no que supomos saber
estamos deixando de ser
O que somos juntos,
família,
partilha,
amor,
alegria.
uma força da natureza
psíquica sintonia
unidade e entendimento
partilha e comunhão
paz e alegria
afeto e afeição
família, dela sou
feto, criação.
se me criam com amor,
amor serei,
se me esquecem
não esqueçam, sou você
família, amor
alegria.
Sou vocês,
com vocês, em vocês
a minha impressão,
a mesma vezes três.
alma
corpo
coração
DNA
divindades
crenças
opções
hábitos
obstruções
mas em tudo
o mesmo fado
a mesma invenção
macro-cósmica
do que precisamos?
e se partilhássemos
todos os dias...
é uma sugestão
que me fez
a história da vida
que só é contada
uma vez por ano
quando não somos
o que acreditamos
quando não sabemos
em que acreditar
quando acreditamos
demais no que supomos saber
estamos deixando de ser
O que somos juntos,
família,
partilha,
amor,
alegria.
terça-feira, dezembro 21, 2010
dias de luz (deumaluz...)
Quero ir em equilíbrio
ficar sem esperar
pegar carona no ar
encontrar o amigo no acaso
indo pro mesmo desígnio
com fruta no pé
mágica nas mãos
areia na madrugada
sorriso pregado
dedilhando segredos
pensamentos falados
inversonogomia
no alto da torre
a lua entre os dedos
coco no chão
e pernas no mar
boas amizades tenho aqui
a viola a cantar
saudoso verão
vem me presentear
com o caloroso sorrir
do poema a jorrar
quero ficar
nesse papo pra sempre
sem me preocupar
pois horas não existem
pra quem tem tempo de amar
eu vou correndo
me jogar nesse abraço
num salto no espaço
entre as nimbus a desenhar
minha micro-imaginação
mergulhada na morada
plasmada na própria criação
ficar sem esperar
pegar carona no ar
encontrar o amigo no acaso
indo pro mesmo desígnio
com fruta no pé
mágica nas mãos
areia na madrugada
sorriso pregado
dedilhando segredos
pensamentos falados
inversonogomia
no alto da torre
a lua entre os dedos
coco no chão
e pernas no mar
boas amizades tenho aqui
a viola a cantar
saudoso verão
vem me presentear
com o caloroso sorrir
do poema a jorrar
quero ficar
nesse papo pra sempre
sem me preocupar
pois horas não existem
pra quem tem tempo de amar
eu vou correndo
me jogar nesse abraço
num salto no espaço
entre as nimbus a desenhar
minha micro-imaginação
mergulhada na morada
plasmada na própria criação
sexta-feira, dezembro 17, 2010
lado esquerdo
Do que vale a pena
Alisar o que nasceu enrolado
Deixa encaracolar,
Como caracóis
Vão a se enrolar
Parece que vai sonar
O centro do suor
A casca, casaca, casa, asca,
Entre os bytes e gens
Conhecimento tecnológico
Planejado, aperfeiçoado
Melhoramentos em todos os lados
A décima que é debaixo
De cima do cacho
Qu’inda não despencou
De cima do baixo
Desdobramento interioexterior
Meu senhor é a vida!
A natureza, a força,
A certeza de nada
E tudo que é o vago
Negro iluminado
Indecifrado lume que vaga
Gume do meu passo
Afiado
Protegido
Domesticável porém
Com carinho e amor
Cumplicidade e respeito
Vou junto com você
Se vier comigo
Mas se quiser vamos
Pra algum lugar
Onde possamos sempre estar
Algum bom lugar
Onde pousemos a repousar
Nossos abraços e dores
Que querem ejacular
Feito lava de vulcão
Feito espuma
Menstruação
Coisas inesgotáveis
De movimento e criação
Novas fases, novos ares
Novas compreensões
Algumas até contrárias
Que nos faz pensar será
Essa nuvem programada a passar
Esse sonho esquecido a guiar
Minha essência querida
Que me deras mar
Sou sua sólida averbação somática
Suo sua sórdida vontade de tornar-me terra
Ar, como gostaria de voltar
A ser criança a nadar
Em lugares sem esgoto
Solto feito fumo bom
Feito garoto
Nu e pronto
Pra viver em paz
Pra viver em amor
Pra dizer, por favor,
Vivam a paz!
Alisar o que nasceu enrolado
Deixa encaracolar,
Como caracóis
Vão a se enrolar
Parece que vai sonar
O centro do suor
A casca, casaca, casa, asca,
Entre os bytes e gens
Conhecimento tecnológico
Planejado, aperfeiçoado
Melhoramentos em todos os lados
A décima que é debaixo
De cima do cacho
Qu’inda não despencou
De cima do baixo
Desdobramento interioexterior
Meu senhor é a vida!
A natureza, a força,
A certeza de nada
E tudo que é o vago
Negro iluminado
Indecifrado lume que vaga
Gume do meu passo
Afiado
Protegido
Domesticável porém
Com carinho e amor
Cumplicidade e respeito
Vou junto com você
Se vier comigo
Mas se quiser vamos
Pra algum lugar
Onde possamos sempre estar
Algum bom lugar
Onde pousemos a repousar
Nossos abraços e dores
Que querem ejacular
Feito lava de vulcão
Feito espuma
Menstruação
Coisas inesgotáveis
De movimento e criação
Novas fases, novos ares
Novas compreensões
Algumas até contrárias
Que nos faz pensar será
Essa nuvem programada a passar
Esse sonho esquecido a guiar
Minha essência querida
Que me deras mar
Sou sua sólida averbação somática
Suo sua sórdida vontade de tornar-me terra
Ar, como gostaria de voltar
A ser criança a nadar
Em lugares sem esgoto
Solto feito fumo bom
Feito garoto
Nu e pronto
Pra viver em paz
Pra viver em amor
Pra dizer, por favor,
Vivam a paz!
quinta-feira, dezembro 02, 2010
qq bobagem
o mesmo que ontem não foi hoje
vc pensa que é certo mas muda
vc tem que se distrair de vc
ahaha nem pode se aproveitar
vai indo feito desapegos forçados
feito desassossego alado
que isso?
vai só, dizendo tanta coisa
q talvez convença vc mesmo
ahaha mas eu nao to nem aqui
é só qq pensamento a flutuar
tá td mundo qrendo chegar primeiro
sem saber o quanto é maneiro
viver o mundo no seu ritmo
sou louco para muitos
mas pros poucos que me amam
sou o próprio amor
vc pensa que é certo mas muda
vc tem que se distrair de vc
ahaha nem pode se aproveitar
vai indo feito desapegos forçados
feito desassossego alado
que isso?
vai só, dizendo tanta coisa
q talvez convença vc mesmo
ahaha mas eu nao to nem aqui
é só qq pensamento a flutuar
tá td mundo qrendo chegar primeiro
sem saber o quanto é maneiro
viver o mundo no seu ritmo
sou louco para muitos
mas pros poucos que me amam
sou o próprio amor
segunda-feira, novembro 29, 2010
quarta-feira, novembro 17, 2010
Gratidão
O meu medo é o que me torna forte
força que vem do mar
das ondas, das correntes que me libertam
me levam a todos os cantos
me levam ao norte
sinto as ruas vazias
mesmo dentro de casa
visto minhas asas e asias
e de volta estou ao sul
respirando o sol
vou na beira do azul
e me mergulho em mim
na imensidão desértica das minhas veias
busco a ligação primordial
compreendê-la melhor
mas sem esforço não há regozijo
não há terra fértil que me alimente
nem morada celestial
que me acolha com risos
e abraços de amor
com humildade e respeito...
Agradeço-te, vida!
força que vem do mar
das ondas, das correntes que me libertam
me levam a todos os cantos
me levam ao norte
sinto as ruas vazias
mesmo dentro de casa
visto minhas asas e asias
e de volta estou ao sul
respirando o sol
vou na beira do azul
e me mergulho em mim
na imensidão desértica das minhas veias
busco a ligação primordial
compreendê-la melhor
mas sem esforço não há regozijo
não há terra fértil que me alimente
nem morada celestial
que me acolha com risos
e abraços de amor
com humildade e respeito...
Agradeço-te, vida!
sábado, novembro 13, 2010
morro vivo II
E morrer é assim todo dia
Sem a missão que acho ter
Nenhuma escolha me diz 'sorria
Estou sendo renovada'
Sou agora nova forma de educar
Nova vontade de mudar
De fazer a roda aumentar
Nada, tudo é pouco pra saber
23 livros devo ler para o vestibular
Sem contar os que são pra vestir, burlar
Contar, bem escrever, interpretar sonhos
E pessoas...
Além da natureza pulsante das veias terrestres
Rios e lagoas...
Secando...
E tantos engenheiros a mando
De quem não sabe amar
Por promessas e dinheiro
Vieram o mundo modificar
Olhar o fundo da alma de Gaia
Da lama espessa ao gás braseiro
Criaram assim os anos da evolução
A melhor forma de lucrar...
Necessidade humana
Felicidade engarrafada,
Carinho embalado a vácuo...
Comida envenenada
Cadáveres torturados
Vivo a morte todo dia
E ela chega com caldo de alegria
Pra disfarçar o agonizante fardo
Dos escravos da industrialização
Pouco a pouco menos vivemos
O fim começa a brotar de dentro
Do coração paralisado pelo sal
Os pulmões asfixiados pelo gás
Enfermidades desconhecidas
Temperam a salada
Junto com inseticidas
Como posso escapar?
Se não sei de onde vem...
Vem de dentro pra fora
De fora pra dentro
De dentro agora
Contorce-se a vida
Resistindo assim todo dia...
Sem a missão que acho ter
Nenhuma escolha me diz 'sorria
Estou sendo renovada'
Sou agora nova forma de educar
Nova vontade de mudar
De fazer a roda aumentar
Nada, tudo é pouco pra saber
23 livros devo ler para o vestibular
Sem contar os que são pra vestir, burlar
Contar, bem escrever, interpretar sonhos
E pessoas...
Além da natureza pulsante das veias terrestres
Rios e lagoas...
Secando...
E tantos engenheiros a mando
De quem não sabe amar
Por promessas e dinheiro
Vieram o mundo modificar
Olhar o fundo da alma de Gaia
Da lama espessa ao gás braseiro
Criaram assim os anos da evolução
A melhor forma de lucrar...
Necessidade humana
Felicidade engarrafada,
Carinho embalado a vácuo...
Comida envenenada
Cadáveres torturados
Vivo a morte todo dia
E ela chega com caldo de alegria
Pra disfarçar o agonizante fardo
Dos escravos da industrialização
Pouco a pouco menos vivemos
O fim começa a brotar de dentro
Do coração paralisado pelo sal
Os pulmões asfixiados pelo gás
Enfermidades desconhecidas
Temperam a salada
Junto com inseticidas
Como posso escapar?
Se não sei de onde vem...
Vem de dentro pra fora
De fora pra dentro
De dentro agora
Contorce-se a vida
Resistindo assim todo dia...
domingo, novembro 07, 2010
morro vivo
Eu morro assim todo dia
Um pouco de pó e fumaça
No ar da minha melancolia
Fez a vidraça da minha veia fraca
Vir à tona pra tomar cachaça
Vira, toma de um gole só
Não sou fato nobre
Portanto faço o meu melhor
Mesmo que sejam três ou quatro doses
Amanhã tento recuperar o nó
Água de coco na garganta
Nem sei se adianta...
Com o chão seco feito boca
A minha sobriedade rota
Me pede insanidade boa
Girar rápido de mãos dadas
Fazer história na minha pousada
No meu quarto que falta metade
Enquanto soo meus versos afoitos
Sinto-te perto pouco
E morro como quem renasce
Um pouco de pó e fumaça
No ar da minha melancolia
Fez a vidraça da minha veia fraca
Vir à tona pra tomar cachaça
Vira, toma de um gole só
Não sou fato nobre
Portanto faço o meu melhor
Mesmo que sejam três ou quatro doses
Amanhã tento recuperar o nó
Água de coco na garganta
Nem sei se adianta...
Com o chão seco feito boca
A minha sobriedade rota
Me pede insanidade boa
Girar rápido de mãos dadas
Fazer história na minha pousada
No meu quarto que falta metade
Enquanto soo meus versos afoitos
Sinto-te perto pouco
E morro como quem renasce
sábado, novembro 06, 2010
Finge que não me viu...
finge que não me viu\ vira o rosto para evitar\ um olhar estranhamente conhecido\ um dia que não quis reconhecer-te\ por causa do mau-humor\ ou uma briga ou desamor\ fiz questão de não lembrar essa cara\ meio torta, meio chapada\ virada pro lado oposto\ sem gosto nem composto\ que seja apresentável ao mundo\ também já me senti assim\ não queria nem olhar pra mim\ e fingi desconhecer tudo\ fechado, feito ostra\ olhava a frente sem dente\ sorrindo banguela\ feito uma velha com cheiro de naftalina\ sentei-me no banco atrás dela\ aquele odor me possuía\ me fazia lembrar minha tia-avó\ que morreu com 94 anos\ dormiu na varanda e não mais acordou\ chorei no velório com o lenço ‘naftalínico’\ desci do ônibus e meus olhos abriram\ se quem finjo não ver amanhã morrer?\ imagine se morro amanhã...\ perdeu a ultima chance de me cumprimentar\ e nem lenço você terá pra lembrar.
sexta-feira, novembro 05, 2010
Vôou
Não sei mais pra onde vou
Não sei mais pra onde vôo
Não sei mais pra onde vou
Não sei mais pra onde vôo
E se vou, é pra lugar nenhum
Esse vôo é pra alugar nenhum
E se vou, é pra lugar nenhum
Esse vôo é pra alugar nenhum
É pra alugar nenhum lugar nenhum
É pra alugar nenhum lugar nenhum
E se lugar nenhum estiver pra alugar
Vou-me embora de lugar nenhum
Vôo de volta pra onde vou
Vou de volta pra onde vôo
Não sei mais pra onde vôo
Não sei mais pra onde vou
Não sei mais pra onde vôo
E se vou, é pra lugar nenhum
Esse vôo é pra alugar nenhum
E se vou, é pra lugar nenhum
Esse vôo é pra alugar nenhum
É pra alugar nenhum lugar nenhum
É pra alugar nenhum lugar nenhum
E se lugar nenhum estiver pra alugar
Vou-me embora de lugar nenhum
Vôo de volta pra onde vou
Vou de volta pra onde vôo
quinta-feira, novembro 04, 2010
passara
passaram pássaros por aqui
mas não tem ninho seguro em 2010
vieram trazendo o despedir
são as placas, os postes, as calhas
nova casa em que o dia é eterno
levaram com vento memórias
sonharam criar uma história
e os pios, os cantos e latidos
já tentam acordar a cidade insônia
uma e cinquenta da madrugada
já tem luz confundindo a alvorada
e a voz tão suave que alenta
já está rouca e inflamada, doente
tanta luz pra cegar
tanto vão pra sugar
as crianças, o futuro
de quem depende?
finge-se surdo, cego, obtuso
assim talvez veja o destino da revoada
é saudade o silêncio no escuro
displicência esse sono dormente
mas não tem ninho seguro em 2010
vieram trazendo o despedir
são as placas, os postes, as calhas
nova casa em que o dia é eterno
levaram com vento memórias
sonharam criar uma história
e os pios, os cantos e latidos
já tentam acordar a cidade insônia
uma e cinquenta da madrugada
já tem luz confundindo a alvorada
e a voz tão suave que alenta
já está rouca e inflamada, doente
tanta luz pra cegar
tanto vão pra sugar
as crianças, o futuro
de quem depende?
finge-se surdo, cego, obtuso
assim talvez veja o destino da revoada
é saudade o silêncio no escuro
displicência esse sono dormente
terça-feira, novembro 02, 2010
Liquidez
Obejetos subatômicos unidos
Micro-aspectos sinérgicos telefactos
Projecionismos teleféricos, ás inócuo
Ó vertigem temperada por meu ar
Raro e feito anacrônico gás fátuo
Universos, únicos versos próximos
Vez em quando impróprios egos
Uniformes, os olhos dormem sobre
Meu intrépido soberbo fúnebre ato
Plana séria chuva viva, mas decrépita
Precipita nobre pele, gota indelével
Leva o leve e úmido floco, liberdade
Até onde a volta seja quase certa
Seja minha vértebra e válvula forte
Onde nascem os meus braços bases
Equilíbrio invertido do eco norte
Supra sumo soma ao som da sorte
Escudo intransponível às inverdades
Meu próprio néctar sabor de mim
Micro-aspectos sinérgicos telefactos
Projecionismos teleféricos, ás inócuo
Ó vertigem temperada por meu ar
Raro e feito anacrônico gás fátuo
Universos, únicos versos próximos
Vez em quando impróprios egos
Uniformes, os olhos dormem sobre
Meu intrépido soberbo fúnebre ato
Plana séria chuva viva, mas decrépita
Precipita nobre pele, gota indelével
Leva o leve e úmido floco, liberdade
Até onde a volta seja quase certa
Seja minha vértebra e válvula forte
Onde nascem os meus braços bases
Equilíbrio invertido do eco norte
Supra sumo soma ao som da sorte
Escudo intransponível às inverdades
Meu próprio néctar sabor de mim
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